Ele meditava no tuning e ela no décimo primeiro episódio da terceira série da Anatomia de Grey. A espetada de tamboril com gambas viera fria, mas devolvê-la à cozinha seria um convite a outra meia hora de padecimento. Na mesa do canto, uma menina mordia a orelha de um loiro com imenso cabelo e blusão Tommy Hilfiger. Afastou os olhos enjoada, não sem admitir que o rapaz pudesse ocultar uma bela picha de colegial. O vinho era decente mas servido com condescendência, o que a fez sentir-se uma turista americana em Itália. Quase todas as mesas lhe pareciam ocupadas por casais infelizes. Um indiano trouxe rosas vermelhas a três euros e meio, mas ele despachou-o após esclarecer que estavam zangados. A chalaça vinha dos tempos em que não se zangavam, e seria inútil aguardar que ele alcançasse o seu travo um pouco amargo. Como era dia de sexo anal, ela aceitou um digestivo. Mais tarde, enquanto olhava para o tecto, confirmou que o noivo, de um dia para o outro, tinha começado a ressonar.
14.
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ah, a bela vida da ‘petite bourgeoisie’ portuguesa….
(prevejo um romance/novela/conto teu dentro de algum tempo)
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Carlos, nada que tenha a ver com este tema. E vai demorar.
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Luís, o tempo não importa: estou seguro que de que te sairás bem — e eu cá o aguardo.
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Obrigado pelo teu voto, Carlos. O pior é que a coisa só lá vai com trabalhinho.
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