Inveja social.

Na Finlândia os salários são afixados pelas empresas para que cada um possa saber quem ganha quanto e retirar daí as suas conclusões. Na Holanda as janelas exibem o interior das moradias, porque não é gracioso viver escondido dos olhares da rua. Na Suécia, se a memória não me trai, qualquer tipo pode entrar no parlamento e  solicitar a declaração de rendimentos de um deputado.

Em Portugal há um Presidente que mente sobre o dinheiro que recebe, e quando alguém lamenta que especialistas de 24 anos sejam nomeados a três mil euros por cabeça em vários ministérios, logo vem um senador denunciar a inveja social do povoléu.

Ela que venha. Precisamos muito de mais inveja social.

Anúncios

32 pensamentos sobre “Inveja social.

  1. De acordo em relação a tudo, mas essa da Holanda parece-me hedionda. Eu sei que é assim, já lá estive em trabalho e – Deus me ajude! – em prazer. Contra todos os Rentes e afins, quero aqui dizer que é um pardieiro.

    Agora, o Cavaco sempre foi inenarrável. O tipo foi responsável pela ascensão e instalação na política, nos órgãos dos Estado, nas administrações de empresas catitas, etc., de toda uma geração de biltralhada, com a qual se manteve de braço dado até há bem pouco, sem que um pingo de vergonha lhe tolhesse o habitual rigor mortis das ventas. O tipo solta uma e atiram-se todos ao ar, como se não conhecessem a peça há décadas. A verdade é que o de Boliqueime raramente fala e, quando o faz, sai vazio em forma de verbo. Se querem a opinião do home, segurem-se às cadeiras! É melhor estar quieto e não se perdoar a ninguém o luxo da ingenuidade.

    Sobre essa dos “especialistas”, teríamos matéria para vários compêndios. Por um lado, a figura “especialista” enquanto categoria profissional é uma coisa muito nossa, como as churrasqueiras-pastelarias, ou o snack-bar. O “especialista” não é nada em si mesmo, e, por perversão filosófica, presta-se a ser tudo aquilo que se desejar. Um decreto de autoridade, digamos, com ares de profissão. Esta concepção pacóvia da especialização laboral tem sido instrumento para o regabofe chupista nas mãos de quem tem algum poder. Eu, por exemplo, já fui especialista em Legos.

    Gostar

      1. Einstein dizia que o auge intelectual era aos 26 anos, em que já há um conhecimento maduro mas a juventude bastante para ser ousado.
        Dito isto, gente com 24 anos, especialistas, em Portugal, nestes tempos de infantilização? Poderá haver 2 ou 3, mas duvido que sejam os do governo.

        Gostar

  2. finlandia, suecia, holanda, luís? é a doença infantil da social~democracia achar que podemos assemelhar nos a esses países. Aproveito para dizer que o template está muito bem.

    Gostar

    1. Pedro Lomba, os senadores estão à nossa cabeceira assegurando-se que não somos infetados por essa doença infantil, uma espécie de imuno-deficiência que pode conduzir à nordificação. O vírus de querer saber tudo sobre os ricos e poderosos é o mais daninho e o doutor Vasco Pulido Valente e mais a sua equipa de especialistas investigadores e estagiários, andam há anos a alertar o povo não se deve aproximar das muralhas dos castelos. Os finlandeses ainda há meia dúzia de anos caçavam renas, minding their own business, e agora é o que se vê. Não podem ver uma camisa nova a um político.

      Gostar

  3. Tem razão. Há contratos que estipulam que se o trabalhador disser quando ganha é razão de anulação do contrato. Este tipo de secretismo só ajuda o empregador. A falta de transparência só beneficia o compadrio e a corrupção.

    Gostar

      1. O como sempre é: “como sempre tenho razão, like CS” ou como sempre o meu new look está sóbrio ou como sempre eu “gosto mais do outro”.

        Gostar

          1. Lamento informá-lo mas hoje após mais uma segunda “insuportável” e ainda sem jantar vim ao seu blog e reconciliei-me com o template. Gostei mais do que qualquer outro desde que venho ao vida breve. Tal como o Luís estar cansada e com fome torna-me irritável e mesmo assim…

            Gostar

          1. Luís, não me estava a referir a isso — foi muito mais longe do que eu, carago…

            (da forma que escrevi, talvez tenha dado azo a isso; mas, asseguro-lhe que não tenho por hábito cobrar/pedir ligações)

            Gostar

              1. Estava a cruzar a sua referência a uma «indiferença olímpica» a quem o segue — incluindo eu — com a atenção dada ao Renato Teixeira, mas num tom de brincadeira (faltou um ‘smile’) e sem meter o meu post de há alguns meses ao barulho.

                (como escrevi antes, é natural que tenha dado azo a essa interpretação; mas, asseguro-lhe, há coisas que nem em tom de brincadeira cobraria/pediria — not my style)

                Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s