“Ai, não percebo nada”.

É a confissão da semana nos blogs liberais. De um dia para o outro a direita portuguesa encheu-se de cheerleaders loiras e alheadas. Mas não faz mal, meninas, porque a Carla Quevedo explica:

(…) Sobre as nomeações recentes para a EDP, etc., António Lobo Xavier mostrou incómodo com aquilo que disse ser um problema de percepção. Ora, isto subentende que os factos estão bem, obrigada, o que estraga tudo é a altura em que as coisas se fazem. Lobo Xavier é mais inteligente do que isto. O problema real é haver gente a não fazer a mínima intenção de passar pela ‘necessidade de sacrifícios’ que leva a vida a pregar aos outros. Não é um problema de inveja. E a ganância é o menos, francamente. Sempre houve e sempre haverá. Só um louco é que se dedica à tarefa de mudar a natureza humana. O pior é ter de ouvir os pregadores na televisão, ter de lhes aturar o discurso do que os outros devem fazer, como devem viver. É assim que o cidadão mais pacífico dá por si a defender a revolução francesa. Há, contudo, um aspecto positivo nisto tudo. Por estranho que pareça, vejo o momento que estamos a viver como uma oportunidade de o País mudar para melhor. O tempo não está a nosso favor, mas também acontecem coisas boas quando as pessoas se fartam (…).

Haja paciência.

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9 pensamentos sobre ““Ai, não percebo nada”.

  1. “Por estranho que pareça, vejo o momento que estamos a viver como uma oportunidade de o País mudar para melhor. O tempo não está a nosso favor, mas também acontecem coisas boas quando as pessoas se fartam ”

    Sem o cataclismo universal (duma guerra ou duma grande crise económica) ou sem a lenta erosão do tempo, como mudar (mas mudar para melhor)?
    Que em breve meia-dúzia de anos surjam novos protagonistas (políticos e partidos, certamente) com (boa) vontade e determinação, apoiados por um eleitorado maioritário e esclarecido, e façam as grandes reformas do sistema, etc e tal, parece-me a resposta ideal.
    Ora, pelas minhas breves leituras do Vasco Pulido Valente, do Eça e do Camilo, a erosão do tempo já devia ter dado resultados, o cataclismo nacional da crise económica é recorrente e guerras (dentro e fora de fronteiras) temos tido alguma coisa nos últimos 200 anos. Sim, graças a tudo isso já aconteceram importantes mudanças políticas e de regime. E, contudo, parece que os bons e velhos vícios e tiques indígenas (creio que cito o VPV livremente) permanecem.
    Mas como crer que, algures por aí e no agora já, existem em potencia os “novos protagonistas” e o “eleitorado maioritário e esclarecido” da minha ideal e infantil visão politica?
    Tem domingos que acordo velho do restelo…mas a culpa é dos blogues.

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      1. Chama-se a isso auto-defesa — o que, até certo ponto, poderia ser compreensível. Não o é porque, sendo muitas vezes parte envolvida e interessada, tenta fazer-nos crer que não é nada com ele.

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