A ordem das coisas.

Se ainda obedecêssemos ao ritmo das estações, e não ao calendário gregoriano, os votos anuais seriam celebrados no início da Primavera. Assim restam-nos três meses de entorpecimento antes que as folhas despontem e natureza acompanhe o traçado dos nossos projectos. Cada novo ano é um triunfo da civilização urbana sobre os despojos do mundo agrícola.

Tenho pena, porque me sinto cada vez mais pastoril. Dispensaria os avanços tecnológicos do século, excepto no que respeita à medicina, e de bom grado viveria como um amish se pudesse ignorar também a Bíblia.

O desejo de uma vida simples não dispensa os ritos — pelo contrário, alimenta-se deles. Porque os ritos nos trazem a memória física dos milénios, dos solstícios e dos equinócios, das sementeiras e das colheitas, e nos reconciliam com a mortalidade, são uma má notícia para os angustiados e para os cultores da juventude.

A juventude é uma anomalia, ao contrário da Primavera.

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