Cartas a jovens poetas. Já não consigo distinguir entre as cartas de Rainer Maria Rilke e o ensaio epistolar de Virginia Woolf. Recordo apenas uma frase: olhe pela janela e escreva sobre as pessoas. Não sei onde aparece, nem se existe a frase como a reproduzo. Para mim tem uma autoria comum, o que basta para imaginar os seus espíritos a varrer os céus contra o ensimesmamento: o de Woolf tal como estava após o suicídio — em colapso alveolar, com edema intersticial, hipóxia profunda, isquemia cerebral, hipoperfusão renal — o de Rilke ainda incrédulo, agarrado ao espinho da rosa que o infectou. Olha pela janela, suspiram ambos na noite enquanto corremos as persianas.

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3 pensamentos sobre “

  1. “em colapso alveolar, com edema intersticial, hipóxia profunda, isquemia cerebral, hipoperfusão renal “. Se estava em hipoxia profunda já tinha hipoperfusão renal. Mas se tinha colapso alveolar/edema intersticial tinha hipoxia, se tinha hipoxia tinha isquemia cerebral. Isto é estava em hipoxia e chega. Fisiologia não é nem poesia nem filosofia. E morte é morte. Essa da morte é bela é quem esta no sofa a imaginar. Porque quem acha que pode morrer ou quem vê morrer não acha nada. Só não há solução para a morte.
    Olha pela janela e vê as estrelas. Olha pela janela e vê a lua.
    E já agora come antes que arranjes problemas ou tenhas desprezo clínico 😉

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