Empunhai as vossas Bíblias.

A escola económica judaico-cristã dirige o seu olhar castigador para um novo alvo. Desta vez não exige a mortificação dos povos do Sul da Europa, ou a expiação dos graves pecados cometidos pela nossa função pública. Não; a prioridade da semana é extinguir feriados. Um raciocínio simples, adequado à tocante singeleza das nossas cabecinhas: com menos feriados, vamos trabalhar mais. Se trabalharmos mais, vamos produzir mais, logo não há que hesitar — certo?

Errado.

O Rui Passos Rocha, alma a que não se conheciam até agora tendências anti-liberais, descobriu em dois minutos um artigo a demonstrar que a existência de feriados afecta positivamente o crescimento económico, embora de modo marginal. E a seguir revela-nos uma lista com o número de feriados das economias mais produtivas da União Europeia (dica: a Suécia tem tantos como nós, e o Luxemburgo só um a menos).

Mas claro, agitar preconceitos disfarçados de evidências e espumar contra a preguiça é mais fácil do que tentar perceber esse conjunto de fenómenos, nem sempre intuitivos, a que há quem chame realidade.

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27 pensamentos sobre “Empunhai as vossas Bíblias.

  1. Uma das primeiras grandes medidas do Álvaro.
    Uma falsa questão. O acréscimo de produtividade encontrar-se-ia com algum esforço nos dias de trabalho que efectivamente o não são.

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  2. O Alvarinho foi escolhido para ministro por duas razões, seguindo um reflexo irresistível do provincianismo local: i) vem de um país desenvolvido, ii) os seus méritos técnicos permitiram-lhe fazer carreira nesse el dorado místico, que é o conjunto probabilístico Universo-excluíndo Portugal; no seu caso específico, o Canadá. Ambas as razões apontam para o amor e respeito por tudo o que é extranacional – tão pacóvios, quanto seculares em nós – como origem dessa opção.

    Não é necessário esperar pelo fim de uma frase, para se sentir a brisa temperada a couve-galega e sopas-de-cavalo-cansado, evolando-se do patuá ministerial. Há uma subtil declinação beirã, se dúvidas restassem. Sim, o Álvaro é um parolo, como demonstram as suas parolas declarações sobre assuntos triviais. A própria lógica, subjacente ao tema dos feriados, faria corar um pastor barrosão na sua simplicidade, o que dá boa medida do parolismo praticado pelo Álvaro. Surpreendentemente – ou não, tratando-se claramente de um parolo enrustido – o Álvaro não aprendeu, nesse distante planeta Krípton da civilização superior canadiana, os rudimentos da boa prática académica e da honestidade intelectual. É que há muita coisa que uma universidade canadiana pode modelar, ou transformar, no bicho-Homem, mas o bronco lusitano tem carapaça de titânio. Parolamente, o Álvaro não saberá utilizar a internet, senão facilmente descobriria comparações entre níveis de produtividade e feriados para vários países do mundo anglo-germanicamente desenvolvido. Muitas vezes, ilustradas com profusão pornográfica de representações gráficas. A leviandade domingueira com que o Álvaro tenta fazer passar cidadãos por aldeões medievais, é a mesma que assistiu à sua desautorização de um grupo de estudo afecto ao governo onde se integra, quando – no espaço de tempo que leva uma castanha a cair de um banco corrido – catalogou uma decisão do “seu” grupo como absurda. Mas é bom técnico e veio de fora. Para quem é, bacalhau basta.

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  3. Desculpe…. Reli depois de mandar e dei logo com erros…. O melhor é não publicar. Por exemplo: onde está “relação produtividade/trabalho” eu queria escrever “relação produtividade/feriados” …

    Quem só vê a vida a preto e branco actua como se tudo ou fosse preto ou branco. Nem era preciso haver evidência empírica já “revelada” neste caso particular da relação produtividade/trabalho (se é que posso colocar as coisas assim) para que, de um modo pragmático, se perceba que a o rendimento, também no espaço laboral, depende da satisfação de condições que vão além do domínio dito objectivo. Mas fazer o quê? Apreendem a realidade como se tudo fosse um “factum brutum” do tipo Portugal empata na Bósnia a um golo! Trabalhar, como outras circusntâncias da vida da pessoa, tem sempre que ver com o fazer e com o ser. A realidade do “trabalho” também é construída simbolicamente e não pode ser apreendida somente por relações do tipo causa-efeito.

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  4. Gostaria de deixar aqui um insulto soez a este governo, por estas propostas tão desadequadas, mas a minha esmerada educação ainda me inibe. Não sei por quanto mais tempo. Receio que esta auto contenção me faça mal à saúde.

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  5. Faziam melhor era todos trabalharem menos. Havia menos caldeirada. Com a quantidade de erros, enganos e outros sucedâneos, provocados pelo caos e desorganização das nossas empresas / organizações / instituições. Poupava-se mais na electricidade e no desgaste do imobilizado.

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  6. “espumar contra a preguiça”. ´Não há como dizer que sou preguiçosa para descobrir que sou diligente. Recebi 6 telefonemas a dizer que não sou nada preguiçosa bem pelo contrario. É como os feriados falsas questões e falsa politica. Se eu fosse empresaria os meus trabalhadores tinham ferias, feriados, infantario na empresa e ginasio. E seria uma empresa produtiva. Trabalhores felizes é dinheiro em caixa. Criticaram tanto na China a afirmação ordenados baixos e agora estão a fazer do país um Vale do Ave, criancinhas a coser sapatilhas da Nike em casa? Ou na Índia crianças nas fabricas da Coca Cola, soube isto quando era criança NUNCA comprei uma coca cola em toda a minha vida. Claro que sei que é uma atitude adolescente porque qtas outras marcas não devia comprar. Se os portugueses tivessem menos impostos, todos pagassem impostos e só comprassem produtos portugueses (só o governo comprava energia/petroleo mas esta era convertida em Portugal – refinarias) a balança equilibrava-se mais que esta historia.
    E a Europa a 2 tempos, os paises ricos e os paises pobres? Ninguem fala?

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  7. Estou cansado de dizer que não é o “quanto” se trabalha em Portugal, mas o “como”. Mais meia hora de procrastinanço e/ou trabalho displicente dificilmente podem conduzir a um incremento da produtividade. Mas o Álvaro das Couves diz que sim.

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    1. O seu comentário é inteligente, bem escrito e tem graça, mas consome recursos estilísticos que se não justificam senão pela sua quota-parte de parolice – e que é, também, do que se gasta nesta «resposta». Por mim, tenho pena do homem.

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