Irresponsável?

O referendo grego tem uma vantagem clara: a alteração imediata das percepções da opinião pública europeia. Ou seja, se até agora os cidadãos da UE encaravam a crise da dívida como um problema que a Grécia tinha de resolver para benefício da Europa, mesmo que fosse à custa da humilhação do povo, hoje sabem que é a Europa que tem de resolver o problema da Grécia para seu próprio benefício, se quiser sobreviver. Repito: se quiser.

E aqui, as análises sobre quem tem a culpa ou quem merece um castigo interessam muito pouco. Pois é mesmo assim (sem culpabilizações) que gente adulta enfrenta tempos desesperados.

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20 pensamentos sobre “Irresponsável?

  1. O PM Grego, apesar de tudo, está a fazer o correcto os povos têm que ser responsáveis pelo seu futuro.

    Haverá, penso, uma imensa maioria que não se manifesta nas ruas e que provavelmente tem uma opinião bem diferente de quem ocupa as ruas. Será com isso que o PM grego conta.

    Seja como for não há boas soluções com os actuais detentores de cargos políticos na UE e nos seus países membros (chamar-lhes líderes seria anedótico). Ou a Grécia sai do Euro e entra em total incumprimento ou permanece e entra em incumprimento “controlado”. Sempre incumprimento.

    Dada a comparação que é sempre feita entre a Grécia e Portugal os investidores internacionais ficarão convencidos que também entraremos em incumprimento. A tão aplaudida “solução” encontrada há uma semana pela EU será a nossa desgraça, mesmo que os gregos permaneçam no Euro.

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  2. Exactamente. Na Mouche. E clamar a insensatez de Papandreou também não vale de nada – há para aí gente a chamá-lo de louco – mais tarde ou mais cedo a coisa ia explodir e creio que no fundo todos já sabíamos disso. Só que era para um depois que não se sabia bem quando…

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    1. Louco, não sei, mas cobarde e ineficaz, certamente. O PM grego optou por uma jogada político perigosa, que não admitia desistências; no final, ganhava em dobro ou perdia tudo. Ele perdeu quase tudo sem sequer ir até ao fim.

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        1. Luís, cobarde talvez não seja o termo mais adequado (enfim, será que podemos falar em coragem ou cobardia quando temos uma arma apontada à cabeça?), mas acho que me expliquei. O PM grego tentou uma jogada arriscada, sem equacionar tudo o que estava em causa (no mínimo, esperava pela transferência do dinheirinho) — daí a ineficácia — e sem ter estaleca para a pressão que inevitavelmente se seguiria — aquilo que designei por cobardia, embora, como já escrevi, talvez não seja o termo mais adequado.

          Agora, para que fique claro: acho que o comportamento da Alemanha e da França (já para não falar dos que não mostram claramente a cara, como os EUA) é pouco menos do que a violação da soberania nacional da Grécia.

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          1. Carlos, você, manifestamente, não tem lido a minha obra com a reverência que ela recolhe junto dos líderes de opinião nacionais e internacionais. Mas como é freguês, e sabe o que a casa gasta, parece-me natural que escolha uma leitura dinâmica.

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  3. Pois é, afinal não vai haver a coisa, mantenho que foi mais uma jogada política em benefício pessoal. O VPV recorda a dinastia Papandreou, políticos natos ( só sabia do pai, não sabia do avô).

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    1. Bem, mas isso pode dizer-se de qualquer acto político: que é para benefício de quem o faz. A questão é saber se os efeitos desse acto seriam ou não racionais (não escrevo razoáveis, porque há muito que estamos para além desse conceito).

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