Ficha de leitura: “A Visit from the Goon Squad”, Jennifer Egan.

Noventa anos depois, a autora aplica a descontinuidade proustiana a um mundo sem aristocratas. Mas enquanto um escritor menor nos serviria a receita com maneirismos de virtuoso, como um esqueleto demasiado visível, Egan utiliza as histórias desta gente que desaparece e reaparece quando lhe dá na telha para ilustrar as dores de crescimento de uma geração. Ou seja: o livro, com as suas narrativas cruzadas, o seu desprezo pela cronologia, só funciona porque é também, clandestinamente, uma obra moral. Eu sei, estão fora de moda, mas não deixa de intrigar-me que as recensões tenham ignorado este aspecto.

Obra extraordinária, refrescantemente despojada de qualquer afectação, A Visit ganhou o Pulitzer Prize for Fiction e o National Book Critics Circle Award de 2011 — uma honra para os jurados americanos, os últimos que ainda gostam de ler. Se Jonathan Franzen tivesse um cérebro, talvez escrevesse assim.

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3 pensamentos sobre “Ficha de leitura: “A Visit from the Goon Squad”, Jennifer Egan.

  1. «Se Jonathan Franzen tivesse um cérebro, talvez escrevesse assim.» Lol Li um livro do escritor, “Correcções”, e, se bem me lembro — já lá vão uns anos –, gostei.
    De Jennifer Egan, nada li — e nada conheço –, mas a sua ficha de leitura deixou-me curioso.

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  2. Bem eu queria ser sofisticada e não sei mais o quê mas não li. Vou ler. Quem me dá a conhecer autores/livros (e eu gostar) tem garantido um lugarzinho no meu céu particular.

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