Alteração de circunstâncias.

Que dizer às pessoas num momento como este? Tenho pensado nisso enquanto leio os outros blogs ou poiso os olhos nos jornais e encontro apenas ressentimento e angústia.

A opinião está barata, como qualquer produto em mercados saturados, mas a esperança não. Talvez não possamos mudar a realidade, mas está ao nosso alcance mudar alguma coisa em nós. Podemos ser um pouco mais observadores, um pouco mais capazes, e tentar fazer coisas que ainda não fizemos.

São raros os seres humanos verdadeiramente indefesos. São poucas as pessoas que não conseguem criar uma estratégia — e onde há uma estratégia há sempre uma esperança.

A esperança não é uma experiência colectiva, é uma experiência individual. Não depende da crise, não depende da idade e pode reforçar-se em contextos prejudiciais.

Por isso devemos aprender a separar os ruídos do mundo da nossa voz interior. Se a carga afectiva dos outros o perturba, ignore-a. Até nos períodos de crise há gente que prospera: procure essas pessoas.

Cada um de nós pode ser um pouco melhor a estabelecer objectivos realistas e a cumpri-los. Jorge Luis Borges escreveu que a coisa mais superficial de um homem são as suas opiniões.

Ignore as opiniões tóxicas.

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28 pensamentos sobre “Alteração de circunstâncias.

  1. O problema são os que prosperam com a desgraça dos outros. Isso acontece principalmente nos tempos de crise e nos tempos de guerra.

    [Advertência: esta não é uma opinião tóxica. Pode consumir à vontade.]

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  2. Faço parte dos que têm uma estratégia, uma esperança e enorme energia psíquica para seguir em frente, dez quilómetros a pé por dia entre o ponto A e o ponto B pelo pão nosso de cada dia, pois a família somos quatro.

    Um dia a minha estratégia presentificar-me-á o que até então havia sido somente, e não era pouco, Esperança.

    Outra coisa que me move, espevita e impulsiona bem mais além é a misteriosa e glacial frieza portuguesa, salvo em quem nasceu em África, que é quente e caloroso. O ostracismo e o ar desprezivo de tantos e tantas: dá-me vontade de existir ainda mais, com a máxima veemência, dia após dia.

    Tenho feito por que os meus alunos gostem e visitem esta tua página. Aprende-se imenso.

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  3. “…pode reforçar-se em contextos prejudiciais.
    Se a carga afectiva dos outros o perturba, ignore-a.”
    Luís hoje estava a pensar desistir de escrever em blogues.
    Mas acho que este ainda vou continuar…

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      1. Não só este.
        E, nunca, Nunca diga tadinha a uma mulher do Norte. É a única coisa que eu tenho Mesmo a certeza que não sou.

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  4. Muito bem. Fez-me bem ler este post. Tratar-se-á, portanto, de agir. : ))
    [Tendo em conta que “never confuse movement with action”, como dizia o E. Hemingway. ]

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  5. Este texto tem um ar ‘new age’. São pensamentos bonitos, não ponho em causa, mas, se me permite o comentário, este tipo de prosa não combina consigo — com o seu estilo habitual de escrita, quero dizer.

    (Mas vi que foi muito elogiado na outra casa; portanto, ignore-me.)

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  6. É o que penso, Luís. Vendo bem as coisas, se aquilo que cada um faz tem realmente o melhor de si, o lugar ao Sol é uma questão de tempo, probabilidade e preserverança. Entretanto, é fundamental manter o bom humor, a televisão desligada e os jornais na gaiola do canário.

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