O cratês.

Talvez esta seja uma boa altura para recordarmos a Nuno Crato que ele não foi nomeado para contestar os relatórios da OCDE sobre a educação em Portugal, mas sim para ultrapassar o desempenho do Governo anterior nas matérias da sua responsabilidade. As instituições internacionais lá estarão para o avaliarem. Escrevo isto porque me aborreceria muito assistir ao regresso desta conversa de chacha em 2012. Como explica Medeiros Ferreira, o ministro deve esforçar-se mais.

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23 pensamentos sobre “O cratês.

  1. Como se já não nos bastassem todos os peritos e especialistas lusitanos em críticas argutas ao estado da nação e à governação, agora são os próprios governantes que assumem o papel de críticos. Fazer dá trabalho, reformar é uma canseira, pôr ideias em prática pode conduzir ao esgotamento.

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  2. Sem dúvida que o Nuno Crato vai ter de se esforçar mais (e, em alguns aspectos, como o da avaliação dos profs, parece-me que se esforçou de menos). Mas, desde o instante em que foi nomeado, nunca tive a menor dúvida de que, pelo menos, os primeiros seis meses teria de os dedicar a desminar (diz-se isto?) os corredores e gabinetes do bunker da 5 de Outubro. Se tudo corresse bem. Por isso, até lá, julgo que lhe deve ser dado um largo benefício da dúvida.

    Já, em relação ao relatório da OCDE, não vejo nenhum problema que ele tenha esclarecido aquilo que é a puríssima verdade: aqueles números, inchados com a criminosa trafulhice das NO, não podem ser levados a sério. Disse-o antes de ser ministro. Confirmou-o, agora, como ministro. Assunto arrumado. Agora, é fazer o que é necessário. Se, ao fim dos quatro anos, isso for, para aí, 25% do que ele desejaria fazer, já não será nada mau.

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    1. Ok, João, mas parece-me um péssimo começo. Um ministro não é um comentador e não deve pôr em causa as instituições que o avaliam. Senão qualquer dia não há critérios confiáveis, e teremos de acreditar (ou não) apenas no que nos dizem os senhores governantes.

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      1. Esta avaliação em particular, tinha de ser posta em causa. Ou, no mínimo, a forma como a instituição avaliadora (a OCDE) acolhe acriticamente os números que os governos lhe enviam. Quando interrogado sobre ela, poderia ele, alguma vez, responder “Sim senhor, progredimos imenso, as NO foram uma óptima ideia”?

        Mas estou de acordo que é assunto para encerrar e seguir em frente. Começando, por exemplo, por matar no ovo as NO e regressar ao modelo anterior de completamento de habilitações de adultos (necessariamente melhorado).

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        1. Não tenho conhecimento do terreno João, e por isso nunca escrevi sobre o programa, para evitar entalar-me entre guerras de propaganda e contra-propaganda. Mas insisto na necessidade de uma avaliação externa por instituições internacionais. E insisto que elas devem ser respeitadas, e não denunciadas pelos ministros. Para denunciá-las existem técnicos especializados. Não gosto de ver gente a preparar-se para sacudiar a àgua do capote, como me parece que ele está a fazer.

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          1. Eu conheço bastante razoavelmente o terreno. E, justamente, as avaliações externas/nternacionais são imprescindíveis. Mas respeitá-las não significa que, quando são manifestamente distorcidas, tenham de ser aceites sem um comentário. Que, neste caso, tratando-se de um ministro que, anteriormente, denunciou com todas as letras a trafulhice das NO, não poderia ficar calado.

            E sacudir a água do capote não me parece mesmo nada que seja o que o Crato está a fazer: se o “programa” dele vingar, os próximos anos irão ser tudo menos cheios de resultados deslumbrantes para a estatística porque (dog willing) irão ser mais verdadeiros. E, para que isso se entenda, convém ver a fotografia sem photoshop.

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  3. Não concordo, Luís. É preciso colocar a descoberto o embuste que o anterior Governo foi instalando na educação, de forma a obter estatísticas bonitas, sem que tal refectisse uma real melhoria na qualidade do ensino e da preparação dos diplomados. Não tem nada de conversa de chacha, uma vez que o ónus de qualidade da avaliação e da certificação institucional no ensino se esbateu, ou foi mesmo totalmente eliminado, ao longo da última década. É preciso chamar os bois pelos nomes: o “eduquês” foi uma tragédia para o frágil sistema de ensino nacional. Combater as ilusões de milhares de pais e as manigâncias de pedo-demagogos ministeriais é tarefa ciclópica, apesar de a realidade bater à porta de cada um, mais cedo ou mais tarde. E programa Novas Oportunidades é praticamente um ATL, com uma tipografia de diplomas anexada.

    Por outro lado, também não é em apenas um ano (2012) que o Luís vai ter resultados melhores. Pelo contrário: a serem aplicados critérios de exigência com mínimos de decência, vai ver estes resultados virem por aí abaixo. Sejamos francos. As universidades (Ensino Superior) estão cheias de alunos incapazes de escrever uma frase em Português legível, fazer uma conta de dividir, ou que saibam quem inaugura a dinastia de Avis. Como chegaram até ao Ensino Superior? Engrossando a tal estatística da OCDE. Tive um aluno de mestrado (!!!) que me perguntou se a palavra “é” era um verbo. E era dos melhores. Outro pedia “apontamentos” (sic) porque não tinha fluência suficiente na língua inglesa para consultar a bibliografia fornecida. Vários ingressam em cursos de ciências cxactas através de expedientes – para mim – esotéricos, sem nunca terem frequentado a disciplina de matemática no Ensino Secundário. Uma colega decana, há coisa de um ano, andava no pátio da faculdade, correndo atrás de alunos que jogavam à bola, implorando que fossem fazer uma frequência. É pior do que um jardim escola para Peter Pans. Vários colegas entram em depressão durante o período de correcção de exames, tal é a qualidade das prestações. E, quanto a chachadas, ficamos por aqui.

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    1. André, de qualquer modo os resultados do novo Governo devem ser avaliados por instituições internacionais. Se não for com este critério que seja por outros. Veja a resposta que dei ao Lisboa.

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  4. So ão entendo é como o Nuno Crato se meteu nessa m$%&/a… Eu cá teria dito logo »Não«! Parêntesis: conheço o Crato desde há uns 30 ou mais anos para trás.)

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  5. Li agora, Luís. Continuo a achar que o Luís comete um erro de avaliação, ao afirmar que o Crato põe em causa a instituição. Ele põe dúvidas, isso sim, ao alcance do resultado produzido pela avaliação da OCDE. Nunca coloca em causa nem o método, nem a OCDE, mas sim a génese dos números. A crítica é claramente ao próprio sistema de ensino que o Crato tutela, que foi deturpado e manipulado de forma a obter bons resultados nestas avaliações. É antes um aviso à navegação, que me parece oportuno.

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  6. Ok, vou deixar este assunto por aqui e esperar pelos próximos resultados. Como disse, não tenho conhecimento do terreno, mas preocupações de natureza institucional que m parece fazerem sentido porque insisto na necessidade de uma avaliação externa por este ou outros critérios. Não podemos é deixar que sejam os próprios governantes a fazer a sua avaliação.

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  7. Com certeza que são necessárias avaliações externas, estou completamente de acordo com o Luís. No entanto, há métodos e métodos de avaliação. Este da OCDE, em particular, tem o alcance limitado pelas opções de cosmética política que sabemos.

    Também estou curioso – e esperançado – para ver como Crato dirige o ministério. Curiosamente, acho que vai depender mais dos Secretários de Estado e da real independência política concedida a Crato.

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    1. A falta de independência política é um argumento que não pode ser usado por um ministro a menos que se demita, André. Ele tem a responsabilidade, logo devemos exigir-lhe o desempenho. Eu como cidadão anónimo e blogueiro inconsequente tenciono ser tão exigente com este Governo como fui com o outro.

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  8. Luis M. Jorge, Nuno Crato não contestou os resultados. O estudo é quantitativo: diz-nos que houve uma maior taxa de certificados. O que o ministro faz questão de salientar é que lá por termos mais certificados não quer dizer que eles tenham qualidade para que se possa considerar “um sucesso”.

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  9. João Lisboa diz:
    14-09-11 às 10:01

    Eu conheço bastante razoavelmente o terreno…..ahn ainda têm (salvoseja que o outro já se foi)aquela agência de clips de jornais que vendiam como informação às univ’s?

    E, justamente, as avaliações externas/nternacionais são imprescindíveis. Mas respeitá-las não significa que, quando são manifestamente distorcidas, tenham de ser aceites sem um comentário. ….em política fica mal

    Que, neste caso, tratando-se de um ministro que, anteriormente, denunciou com todas as letras a trafulhice das NO, não poderia ficar calado….mas devia ser mais ponderado

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