Ricos.

Há algo de perturbador nestas manifestações de ricos que entre Nova Iorque e Paris se mobilizam para que lhes aumentem os impostos. É preciso que uma democracia ultrapasse todos os limites da submissão abjecta aos interesses de uma elite para que esta acorde repentinamente de um torpor de três décadas e nos comunique que nos esquecemos de a taxar.

Não competia a Warren Buffet ou à herdeira da L’Oreal propalar a generosidade de quem sofre com as dores do mundo e deseja, sacrificando-se, mitigá-las. Pelo contrário: nós, a opinião pública e o poder político deviamos tornar esta espécie de grandes gestos ridículos e desnecessários. Num país decente, com uma justiça fiscal rudimentar, os multimilionários deviam queixar-se dos seus impostos como se queixa um cidadão normal. Mas para isso era conveniente que os pagassem.

A Europa e a America encheram-se de vassalos desta casta que agora quer ajudar-nos. Que a criadagem das nossas plutocracias preencha os parlamentos e as administrações das empresas públicas distribuindo entre si as sobras das grandes fortunas com mesuras e salamaleques é o mais trágico testemunho do grande equívoco liberal: a ideia de que podemos deixar os grandes em paz enquanto recomendamos frugalidade aos pequenos e distribuimos roupa e comida pelos pobrezinhos.

Só uma sociedade de escravos consegue ser feliz entre esta miséria moral.

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12 pensamentos sobre “Ricos.

  1. Uma pessoa que ‘posta’ uma pescada em Julho a dizer que volta em Setembro ou está farta do Algarve ou não é rico, trabalha. Se tiver algum fetiche com sobreiros e quiser saltar para cima de um para lhe sugar a cortiça, ligue-me

    cordialmente
    Amor(sempre)in

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  2. É confrangedor ler este texto. Pelo que está escrito depreende-se que o autor não que este tipo de complexos/preconceitos são de origem religiosa (a Igreja Católica e a sua luta contra os ricos) ainda que aquele nem seja Crente ou religioso. Acresce que, fruto do texto, se infere ainda que o autor, claramente, não percebeu que o Marxismo exponenciou o pior do Homem: inveja e uma raiva/revolta para eliminar essa inveja.
    Felizmente, ao contrário do que os leitores seguramente pensam, assistimos ao fim do Socialismo/Comunismo e não ao fim do capitalismo. Admitidamente não vai crer na minha palavra/observação, por outro lado e assumindo que é objectivo, não precisará da minha palavra/observação para ver os factos.

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  3. Aqui os corticeiros, os do contraplacado e quejandos… acham que são trabalhadores e dignos de não serem mais taxados que um tipo com o ordenado mínimo!

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  4. É confrangedor ler este texto!

    Pelo que está escrito depreende-se que o Luís não vê que está a ser vítima de um sem fim de complexos/preconceitos de origem religiosa (a Igreja Católica e a sua luta contra os ricos) ainda que nem seja religioso (ou Crente). Acresce ainda que, fruto do texto, se infere que não percebeu que o Marxismo exponenciou o pior do Homem: inveja e uma raiva/revolta canalizada para eliminar essa inveja.
    Felizmente, ao contrário do que seguramente pensa, assistimos ao fim do Socialismo/Comunismo e não ao fim do Capitalismo. Admitidamente, não vai crer na minha afirmação porém, assumindo que é objectivo, não precisará de crer para ver.

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  5. Pois é, Luís, talvez isto se possa explicar metaforicamente com uma passagem dos Canibais de Montaigne. Os ricos a sério, alguns entre eles em todo o caso, ao contrário dos pequeno burgueses, não vivem de palavras (Capitalismo, Socialismo, Catolicismo). Sabem muito bem como navegar em função dos ventos e das marés.

    “Ils dirent qu’ils trouvaient en premier lieu fort étrange que tant de grands hommes, portant barbe, forts et armés, qui étaient autour du Roi (il est vraisemblable qu’ils parlaient des Suisses de sa garde), se soumissent à obéir à un enfant, et qu’on ne choisisse plutôt quelqu’un d’entre eux pour commander ; secondement (ils ont une façon de leur langage telle, qu’ils nomment les hommes moitié les uns des autres) qu’ils avaient aperçu qu’il y avait parmi nous des hommes pleins et gorgés de toutes sortes de commodités, et que leurs moitiés étaient mendiants à leurs portes, décharnés de faim et de pauvreté ; et trouvaient étrange comme ces moitiés ici nécessiteuses pouvaient souffrir une telle injustice, qu’ils ne prissent les autres à la gorge, ou missent le feu à leurs maisons. “

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  6. Ontem estive com alguém que faz uns milhõezitos por ano e emprega 3.000 pessoas que insultava quem lhe quer retirar o fruto do seu trabalho. Percebi-o a ele e a si, mas que faz espécie ouvir alguém de tal fortuna queixar-se dos impostos, lá isso faz. Ah, e deixe lá os banhos, o país precisa de si!

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