Sigo há vários anos o percurso de Tyler Brûlé, na Wallpaper, no Financial Times e agora na Monocle. Sempre gostei de ver grandes profissionais em acção, embora no caso de Brûlé o produto dos seus esforços me cause um sentimento de desconforto. O problema é o perfeccionismo maníaco de tudo aquilo. A arrumação doentia das referências, das classificações, do bom gosto bizantino e excessivamente comportado. Tudo tem classe, mas em nada se encontra um rasgo de criatividade, um vestígio de risco. É uma coisa um pouco estéril, que parece feita por designers com baixa auto-estima acorrentados a uma eterna busca de aprovação.
No entanto, continua a atrair-me a complexidade das suas realizações. Os podcasts, por exemplo, são inconfundíveis. Encontramos neles, como seria de esperar, um apuro técnico que está a anos-luz das condições normais de produção neste género de conteúdos. Os temas são inspirados: veja-se esta entrevista com a senhora Yvonne Cochrane, grande dama de Beirute oriental. Ou este episódio dedicado à marca japonesa Tomorrowland, com um texto sensível e penetrante sobre a indústria da moda.
Uma coisa é certa: o tom dos artigos e a atmosfera dos episódios nunca são petulantes ou pomposos. E isso, meus amigos, para quem mora em Lisboa é um grande alívio.