Não, o país não pode parar.

Numa notícia que passou compreensivelmente despercebida (afinal tratava-se apenas da realidade), uma organização sueca divulgou esta semana o seu estudo anual que hierarquiza os sistemas de cuidados de saúde em 31 países europeus. Entre esses 31, Portugal aparece em 26º lugar — à frente da Roménia, da Bulgária, da Croácia, da Macedónia e da Letónia. Temos motivos para nos orgulharmos. 

Infelizmente, nem tudo são boas notícias. No ano passado o nosso país ocupava a 19ª posição, e no ano anterior a 16ª. Ou seja, Portugal desceu 10 posições em 2 anos, apesar dos méritos extraordinários do ministro cessante e da boa vontade da senhora que, digamos assim, o obnubila. 

O estudo afirma que em Portugal o acesso aos cuidados de saúde é um dos piores da Europa. E num ápice, o que antes era berrado por uns desgraçados do Rebordelo a que ninguém ligou pevide é agora confirmado pela prestigiada Health Consumer Powerhouse — organização especializada na informação aos consumidores sobre cuidados de saúde. 

Mas podemos ficar tranquilos: o Governo garante que as coisas estão a melhorar. Um pouco como a educação.

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8 pensamentos sobre “Não, o país não pode parar.

  1. Mas há mais boas notícias: esse estudo vai passar a ser publicado só de dois em dois anos. Ao ritmo que estamos, no próximo estudo Portugal escapa à lista! Acabam-se as humilhações!

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  2. Transcrevo com poucas modificações um comentário que coloquei no “Womenage à trois” sobre esta notícia:

    Neste artigo da wikipedia (http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_life_expectancy) constata-se que dos países que são membros da ONU (existem muitos territórios muito pequenos que perturbam estas estatísticas, e outros pequenos como Portugal em relação à Índia ou à China…) Portugal está em 34º lugar em esperança de vida, que me parece uma forma mais objectiva de medir a qualidade dos serviços de saúde.

    O 1º país europeu que aparece na lista é a Suécia, com 80.6 anos de esperança de vida. A Alemanha tem 78.95 anos de esperança de vida, o que dá uma diferença para Portugal de 1.2 anos. Eu diria que no domínio da saúde, a nossa situação, mais uma vez na cauda da Europa mais ocidental, não é tão desanimadora como noutros domínios, como por exemplo as notas no PISA.

    Haver pouco foco no cliente/utente, que o estudo detectou, é um problema generalizado em Portugal, não sendo específico do sector da saúde.

    Transcrição de esperanças de vida dos países europeus com menos esperança de vida:
    34- Portugal (77.87 anos), 35- Albânia, 42-Eslovénia, 43-Rep. Checa, 53-Polónia, 56-Sérvia, 57-Eslováquia, 58-Croácia, 61-Lituânia, 76-Turquia, 62-Macedónia, 82- Bulgária, 86-Estónia, 90-Roménia (71.91 anos), 105-Moldávia, 110- Bielorússia, 119-Ucrânia, 128-Rússia (65.87 anos)

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  3. “Haver pouco foco no cliente/utente, que o estudo detectou, é um problema generalizado em Portugal, não sendo específico do sector da saúde.”

    Pois… é o problema de toda a nossa função pública. Pensam que o emprego existe para servir a eles, não para as pessoas. Com os professores se passa o mesmo.
    A nossa geração não viverá uma outra mentalidade.

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  4. “é o problema de toda a nossa função pública. ”

    Julgava que a evolução do sistema de saúde era da responsabilidade do Governo e não da função pública. Nem me parece que “a mentalidade” da função pública se tenha alterado tanto nos últimos dois anos a ponto de explicar este descalabro.

    Não dá para usar argumentos menos idiotas?

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  5. Sr. jj. amarante,
    Claro que “Portugal está em 34º lugar em esperança de vida, que me parece uma forma mais objectiva de medir a qualidade dos serviços de saúde”, tem sido a “defesa” de quem mede a qualidade em serviços de saúde. Já agora tb é de notar que Portugal tem das taxas mais baixas em mortalidade infantil, que como deve saber é outro indicador da qualidade em saúde. Mas não são esses indicadores que permitem a avaliação da qualidade em saúde pelos clientes desses serviços. O SNS tem de garantir qualidade adequada aos cidadãos, os clientes. A acessibilidade, a capacidade de resposta, a fiabilidade do sistema são tb indicadores de qualidade com muito mais peso na avaliação. Ou seja, é preferível ter menos um ou dois anos na esperança de vida (que é um indicador médio, logo influenciado por extremos), mas com um serviço de saúde que proporcione maior qualidade de vida.

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  6. É um dado que a produtividade em Portugal é penalizada pelo baixo desempenho do sector público, e o sector público não quer dizer “o governo”.
    Esse estudo apontou que a falha em Portugal ocorre no tempo de espera dos utentes e no atendimento ao público. Quem regularmente recorre aos postos de saúde e aos hospitais públicos (curiosamente, os de Lisboa–no interior a coisa funciona muito bem) e se depara com a ineficiência e a preguiça que grassam, pode comprovar que tal não aocntece por culpa do “governo”

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