O tempo das convicções.

O senhor António Mota, presidente do grupo Mota-Engil, escreveu uma coluna no Diário de Notícias para celebrar a grande entrevista que o primeiro-ministro concedeu, com extrema generosidade, ao Diário de Notícias. Se isto lhes parece um bocadinho autofágico esperem pelo climax: em relação às grandes obras públicas, explica desinteressadamente o timoneiro da maior construtora do país, estou em completo acordo com o Governo. Todas esta obras já deviam ter sido feitas há, pelo menos, uma década.

O senhor Mota, que é um espírito prático, não ignora a crise. Mas acredita que esta será ultrapassada pelo doce milagre da convicção, abundantemente exibida na ditosa entrevista que ele volta a mencionar com assombro. Ao mesmo tempo que agradece o alto talento motivador do primeiro-ministro, o seu apoio à banca e a garantia de 20 milhões de euros, o senhor Mota nunca refere, estranhamente, o porte magnífico, a inteligência invulgar, a cultura vasta, a simpatia contagiante e o fino sentido de humor de Jose Sócrates — abrindo assim mais uma janela de oportunidade aos outros colunistas do Diário de Notícias que lhe queiram completar o estimável raciocínio.

O senhor Mota, no início desta sua apologia, afirma  que chegámos a um tempo de convicções. Pois foi. E Jorge Coelho, na majestade do seu gabinete, aponta-nos o caminho a seguir.

Os bólides.

A troco de uma bagatela, a Renault conseguiu fechar a avenida entre o Restauradores e o Marquês de Pombal ontem e hoje. Para quem mora aqui, o espectáculo resumiu-se a um ultraje ensurdecedor entre basbaques apinocados. Para quem aqui trabalha, foi a ruina: os clientes habituais fugiram como o diabo da cruz, e os mirones não vão às compras na Purificación Garcia. Espero que o vereador Marcos Perestrello tenha metido algum dinheiro ao bolso, pois assim nem todos ficavam a perder.

(Adenda, com uma excelente ideia — a da bazuca)