Primeiro, o José Manuel Fernandes. Depois os descendentes até à quinta geração.

Os comentadores socialistas têm uma noção curiosa de informação isenta. Nenhum deles estranhou o monólogo do primeiro-ministro que foi exibido no dia seguinte à entrevista com a nova líder do PSD. Também não os vi protestarem contra as barrinhas com frases em movimento que a televisão pública usa para compensar as trôpegas iniciativas da oposição com doces referências às amenidades da West Coast, à saúde invejável do bom ministro Manuel Pinho ou à memória poderosíssima do computador Magalhães. 

Na verdade, a televisão já não preocupa os socialistas. Nem a do Estado, porque está bem entregue, nem a privada, porque se encontra suspensa no processo de atribuição de um quinto canal generalista, cujo desfecho poderá coincidir (coincidência é mesmo a melhor palavra) com a altura das próximas legislativas. O doutor Balsemão e os seus amigos da TVI têm bons motivos para ficarem quietos até 2009.

O que atormenta, então, a blogosfera de Sócrates? Vamos dar-lhe a palavra, para que não se sinta ainda mais amordaçada. Eis uma pequena selecção dos últimos dias:

  1. Miguel Abrantes: Patrão fora, dia santo na loja
  2. Patrão fora, dia santo na loja (até ter ligado a net)
  3. Vicente Jorge Silva (citado pelo prestimoso Miguel Abrantes): Zé Manel, só escreves isso porque tens as costas quentes
  4. Fernanda Câncio: O jornalismo de JPP
  5. O jornalismo de josé manuel fernandes

Qual é a coisa qual é ela? Aparentemente, é um jornal minúsculo, um pasquim indigente, que as mesmas almas acusam há muito de estar em eterna decadência. Pouco importa. Enquanto houver uma réstea de altivez neste país, enquanto existir alguém que não se arremesse como uma gelatina aos importantes pés do nosso primeiro-ministro, lá estarão os seus protectores em busca de uma cruzada ou de uma conspiração, com o dedinho trémulo e a vozinha embargada, a clamar por uma autoridade reguladora.

Mas existirá mesmo uma cruzada? Parece que há. Aqui e aqui explica-se um pouco melhor em que consiste. Eu não sei, porque sou esperto e permaneço neutral como a Suiça. Tanto gosto da Líbia como do governo de Angola — e onde houver um jornal de referência, não mordo a mão que me há-de comer. Não é assim que se diz?

7 pensamentos sobre “Primeiro, o José Manuel Fernandes. Depois os descendentes até à quinta geração.

  1. Bem-vindo de volta etc e tal.

    Para mim giro giro mesmo e ver como estes argutos observadores do interrogatorio de microscopio em punho e analises rigorosissimas da anatomia da questao e do QI do interrogatorio, que revelam triunfantemente a natureza obviamente repulsiva e idiota da pergunta e por arrasto de quem a formula encaram com uma bem miopica bonomia o QI da resposta e por arrasto do inquirido que nao a contestou, nao pediu esclarecimentos, nao se indignou, nao disse “nao respondo a perguntas estupidas” mas em vez disso respondeu de forma bem clara.

    Admitindo por absurdo que a reaccao do inquirido “A pergunta estupida.” nao foi apropriada a natureza grotesca da sua estupidez so duas explicacoes nao necessariamente auto-exclusivas) sobram para sanar esta aparente e absurda contradicao: ou o inquirido e ele proprio estupido ou a pergunta afinal nao e assim tao estupida.

    E divertido, mas pouco, porque nao e muito surpreendente. Admito que o facto de JPP nao ser um personagem particularmente sagaz contribui de forma nao desprezavel para esta ausencia de misterio deste thriller/comedia, lamentavelmente, nao explica tudo.

    Cumprimentos, espero que a ausencia tenha contribuido para fazer posts ainda melhores e que se aguente na blogosfera por bastante tempo desta vez, blah blah blah.

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  2. Caro lowlander,

    noutra altura podia dar-lhe razão. Mas agora estou mais interessado nesta espécie de sincronia que leva tanta gente a indignar-se ao mesmo tempo com o director de um jornal que todos passam a vida a desvalorizar.

    A unanimidade chateia-me. E esta caça às bruxas em que se tornou a crítica ao josé manuel fernandes chateia-me ainda mais, porque julgo que sei aonde quer chegar quem a atiça.

    Não gostam de oposição? Como diz o doutor vitorino: habituem-se.

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  3. Qual unanimidade? Querem ver que este coro de argutos “auditores de inquerito” recem-encartados estao na realidade secretamente a passar mensagens sub-repticeas de critica ao martir director de jornal? Nao seja ridiculo.

    Que esteja chateado e perfeitamente compreensivel, nao atire e areia para os seus olhos ou mais importante para os meus com as tretas da “unanimidade” e da “caca (com cedilha) as bruxas”… se a critica do martir director e “caca (vide acima) as bruxas” entao que dizer destas criticas a formulacao de uma pergunta por parte de um jornalista? “Caca (ibidem) as anti-bruxas”?

    Escolher quem tem razao nesta discussao e uma falacia por falsa dicotomia. Nada mais significativo que escolher qual o lote de moscas preferido. A substancia da questao (e da resposta) permanece rigorosamente inalterada com tal escolha.

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  4. Lowlander, eu não estou a escolher quem tem razão. Estou a lutar para que haja crítica em Portugal para além da “consentida” pelos amigos deste governo. E vou fazer isso quer gostem quer não.

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  5. E eu argumento que lutar pela critica actualmente disponivel em Portugal para consumo das massas, da qual esta titanica autopsia a uma ridicula pergunta e exemplo paradigmatico, qualquer delas, e um exercicio futil de seleccao de moscas. Uma cacada (nao sei bem se hei-de por cedilha ou nao) de bruxas e anti-bruxas, papas e anti-papas, cara e coroa do mesmo tostao furado.

    Pugnar por uma discussao politica publica portuguesa qualquer que seja, mesmo que mentecapta nao chega. Ou melhor, ja nao chega, e preguica porque essa foi a luta dos meus pais ate a nossa entrada na CEE. Estamos em 2008.

    Actualmente o desafio e o lastro que impede que Portugal se transforme num pais de jeito e a ausencia de discussao publica inteligente, debate civilizado e fundamentado. E incompreensivel que a ciencia e o seu metodo ubiquos no nosso quotidiano esteja praticamente ausente do debate politico portugues.

    Porque nao pegar nesta treta como um todo e questionar o enquadramento do jornalismo politico? Porque nao criticar as bases em que assenta a actuacao deste sector de actividade essencial para uma democracia livre?
    As fundacoes (financiamento, seleccao das pessoas, qualificacoes, codigos legais de actuacao) que atrofiam a quantidade e a qualidade de opiniao disponivel, tornam o jornalismo vulneravel a suspeicoes justificadissimas de ausencia (repare que nao uso a palavra “falta”) de isencao e que empurram o jornalismo para dialogos ao espelho (repare que tanto o JPP como o jornalista do DN sao actores do jornalismo politico portugues) que parecem um sketch dos Gato Fedorento?

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