Ah, sim, as “eleições”.

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Tive a felicidade de visitar Cuba um ano antes de conhecer os ressabiados de Miami. A viagem foi horrenda, por motivos pessoais. No entanto, gostei muito daquele povo, lamentei profundamente o seu regime e regressei chocado com os imbecis que por aqui defendem Fidel sem terem posto os pés nas Caraíbas. Não é que seja necessário atravessar um país para podermos falar a seu respeito, mas devia exigir-se algum pudor a quem defende encarniçadamente uma ditadura. E Cuba é uma ditadura: vi pessoas a serem presas após conversarem comigo.

As inanidades que metade da nossa esquerda adora papaguear a respeito da educação e da medicina cubanas também não valem um caracol: os médicos que por lá conheci andavam a puxar riquexós. O pior é que para todos os falhanços de Fidel, para todos os seus crimes, existe uma desculpa sacramental: o bloqueio. O bloqueio americano a Cuba tem as costas mais largas que o fardo do homem branco em África. Está sempre na ponta da lingua de quem não gosta que lhe atrapalhem os passos ou alterem o regime.

E porquê alterá-lo? Para os que estão lá em cima, a vida deve ser um assunto glorioso: bom tabaco, mulheres calientes, excelentes daiquiris e praias encantadoras. Até os automóveis de quem interessa são novos em folha. Cuba, um país miserável, com políticos torpes, é uma espécie de paraíso para quem tem a bolsa recheada e amigos no partido. Nisso, em nada se distingue de Portugal.

Ok, talvez nas mulheres.

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7 pensamentos sobre “Ah, sim, as “eleições”.

  1. Com estas “eleições”, o PCP certamente reforçou a ideia de que Cuba é uma democracia, um pouco à imagem do que disse Bernardino Soares sobre a Coreia do Norte (ainda pior do que Cuba em muitos aspectos).
    Em Cuba como na Venezuela, onde o socialismo e os cortes orçamentais para as oligarquias contrastam com as roupas Louis Vuitton (cf post de João Miranda algures no Blasfémias intitulado “Socialismo Louis Vuitton”). Excelente post, este.

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  2. Magnífico.
    Os fãs portugueses de Fidel deviam ser obrigados a ir para Cuba viver como puxadores de riquexó.
    Ficavam curados.

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