Inveja social.
por Luis M. Jorge
Na Finlândia os salários são afixados pelas empresas para que cada um possa saber quem ganha quanto e retirar daí as suas conclusões. Na Holanda as janelas exibem o interior das moradias, porque não é gracioso viver escondido dos olhares da rua. Na Suécia, se a memória não me trai, qualquer tipo pode entrar no parlamento e solicitar a declaração de rendimentos de um deputado.
Em Portugal há um Presidente que mente sobre o dinheiro que recebe, e quando alguém lamenta que especialistas de 24 anos sejam nomeados a três mil euros por cabeça em vários ministérios, logo vem um senador denunciar a inveja social do povoléu.
Ela que venha. Precisamos muito de mais inveja social.
De acordo em relação a tudo, mas essa da Holanda parece-me hedionda. Eu sei que é assim, já lá estive em trabalho e – Deus me ajude! – em prazer. Contra todos os Rentes e afins, quero aqui dizer que é um pardieiro.
Agora, o Cavaco sempre foi inenarrável. O tipo foi responsável pela ascensão e instalação na política, nos órgãos dos Estado, nas administrações de empresas catitas, etc., de toda uma geração de biltralhada, com a qual se manteve de braço dado até há bem pouco, sem que um pingo de vergonha lhe tolhesse o habitual rigor mortis das ventas. O tipo solta uma e atiram-se todos ao ar, como se não conhecessem a peça há décadas. A verdade é que o de Boliqueime raramente fala e, quando o faz, sai vazio em forma de verbo. Se querem a opinião do home, segurem-se às cadeiras! É melhor estar quieto e não se perdoar a ninguém o luxo da ingenuidade.
Sobre essa dos “especialistas”, teríamos matéria para vários compêndios. Por um lado, a figura “especialista” enquanto categoria profissional é uma coisa muito nossa, como as churrasqueiras-pastelarias, ou o snack-bar. O “especialista” não é nada em si mesmo, e, por perversão filosófica, presta-se a ser tudo aquilo que se desejar. Um decreto de autoridade, digamos, com ares de profissão. Esta concepção pacóvia da especialização laboral tem sido instrumento para o regabofe chupista nas mãos de quem tem algum poder. Eu, por exemplo, já fui especialista em Legos.
Nada tenho contra especialistas. Com 24 anos é que começo a desconfiar.
O meu filho de três anos está a tornar-se um verdadeiro especialista em Puzzles e Legos também. Será que pode aspirar a tal ordenado em breve??
Inscreva-o na juventude socialista. Quando ele crescer talvez seja a mais promissora.
Puta que os pariu.
Vamos então legislar a idade dos membros do governo? E a extensão dos seus nomes?
Você quer pagar especialistas de 24 anos com os seus impostos, Lourenço?
A prova de que o Lourenço tem razão. Vinte e quatro anos até já pode ser decano.
Einstein dizia que o auge intelectual era aos 26 anos, em que já há um conhecimento maduro mas a juventude bastante para ser ousado.
Dito isto, gente com 24 anos, especialistas, em Portugal, nestes tempos de infantilização? Poderá haver 2 ou 3, mas duvido que sejam os do governo.
O tipo que escreveu os discursos do Obama em 2008 tinha 27 anos. E daí?
Quando encontrar algum tipo da JSD num raio de 500 km que pudesse escrever um discurso para o Obama avise.
Eheh, tudo na sua devida proporção.
finlandia, suecia, holanda, luís? é a doença infantil da social~democracia achar que podemos assemelhar nos a esses países. Aproveito para dizer que o template está muito bem.
Assemelhar nem eu queria. Agora de fazer “benchmarking” precisamos e não é pouco.
Pedro Lomba, os senadores estão à nossa cabeceira assegurando-se que não somos infetados por essa doença infantil, uma espécie de imuno-deficiência que pode conduzir à nordificação. O vírus de querer saber tudo sobre os ricos e poderosos é o mais daninho e o doutor Vasco Pulido Valente e mais a sua equipa de especialistas investigadores e estagiários, andam há anos a alertar o povo não se deve aproximar das muralhas dos castelos. Os finlandeses ainda há meia dúzia de anos caçavam renas, minding their own business, e agora é o que se vê. Não podem ver uma camisa nova a um político.
Tem razão. Há contratos que estipulam que se o trabalhador disser quando ganha é razão de anulação do contrato. Este tipo de secretismo só ajuda o empregador. A falta de transparência só beneficia o compadrio e a corrupção.
Está sóbrio o seu “new look” mas gostava mais do outro.
Como sempre, henedina.
O como sempre é: “como sempre tenho razão, like CS” ou como sempre o meu new look está sóbrio ou como sempre eu “gosto mais do outro”.
A última, claro.
Lamento informá-lo mas hoje após mais uma segunda “insuportável” e ainda sem jantar vim ao seu blog e reconciliei-me com o template. Gostei mais do que qualquer outro desde que venho ao vida breve. Tal como o Luís estar cansada e com fome torna-me irritável e mesmo assim…
Se me permite, Luís, aqui estão mais dois exemplos; e eu, que não sou jornalista, até investiguei um pouco mais: http://thecatscats.blogspot.com/2011/08/uma-breve-analise-composicao-dos.html. Enfim.
Pois confesso que ainda não estava “sensibilizado”, como se diz agora. O que é pena, porque escusaria de ter citado o Renato Teixeira.
A «indiferença olímpica» e coisa e tal é só para quem, não obstante eventuais discordâncias, o segue com gosto — ora bolas.
Carlos, não seja tão susceptível. O seu post salvo erro é de Agosto. Em Agosto eu ainda estava a dar-lhes alguma trela. Só isso.
Luís, não me estava a referir a isso — foi muito mais longe do que eu, carago…
(da forma que escrevi, talvez tenha dado azo a isso; mas, asseguro-lhe que não tenho por hábito cobrar/pedir ligações)
Estava a referir-se a quê? Pelo vistos não pesquei…
Estava a cruzar a sua referência a uma «indiferença olímpica» a quem o segue — incluindo eu — com a atenção dada ao Renato Teixeira, mas num tom de brincadeira (faltou um ‘smile’) e sem meter o meu post de há alguns meses ao barulho.
(como escrevi antes, é natural que tenha dado azo a essa interpretação; mas, asseguro-lhe, há coisas que nem em tom de brincadeira cobraria/pediria — not my style)
(credo, isto está cada vez mais estreito… daqui a pouco parece um texto em japonês)
Ok só não tinha percebido nada.
Eu acho que há realmente muito pouca inveja social. Mas não falta idiotia nas elites e na juventude voraz agregada ao Centróide.
Janelas grandes e abertas – falta de sol.
Não ter nada a esconder é a pior forma de miséria ou de arrogância.