vida breve

textos quase originais de luis m. jorge

Month: Janeiro, 2012

Pérolas a PIIGS.

Correndo o risco de maçar a poetisa Elisabete, o doutor Amorim e outros vultos tormentosos do liberalismo e da moral, aqui deixo o envio para um artigo recente de Paul Krugman no New York Times. Chama-se “O Fiasco da Austeridade“. E como sei que a sabedoria, principalmente a que nos chega  dos sãos princípios da escola da vida, nem sempre é acompanhada por um conhecimento profundo de línguas estrangeiras, eis um bom resumo em português.

Suicídio.

A Deco informa que um terço dos jovens com mais de 18 e menos de 34 anos pensou em matar-se. É pena. Numa altura destas, não me parece recomendável que as associações para a defesa dos consumidores andem por aí a dar ideias ao Governo.

Antimatéria.

Os vestígios de uma educação liberal — estantes repletas de livros, discos, filmes em DVD — são agora obsoletos. Para quê exibir uma biblioteca em casa, quando podemos ocultá-la em formato digital? Para quê ter uma casa, de resto, quando tudo nos convida ao nomadismo? Os velhos traços de distinção associados a uma cultura hierática tornaram-se inúteis. O mundo, tal como o conhecemos, pode desaparecer.

Em teoria é possível não termos hoje mais do que uma mochila, duas mudas de roupa e um iPad. Talvez não nos falte muito para recebermos a visita de um novo tipo de homem, sem poiso certo. Chegará numa low-cost, ficará num hostel e irá reconhecer-nos pelas fotografias do Facebook.

É provável que sorria ao ver um apartamento — how typical, how charming. Vocês viverem mesmo aqui?

Vivermos sim, Nigel.  Nós Tarzan.

Inveja social.

Na Finlândia os salários são afixados pelas empresas para que cada um possa saber quem ganha quanto e retirar daí as suas conclusões. Na Holanda as janelas exibem o interior das moradias, porque não é gracioso viver escondido dos olhares da rua. Na Suécia, se a memória não me trai, qualquer tipo pode entrar no parlamento e  solicitar a declaração de rendimentos de um deputado.

Em Portugal há um Presidente que mente sobre o dinheiro que recebe, e quando alguém lamenta que especialistas de 24 anos sejam nomeados a três mil euros por cabeça em vários ministérios, logo vem um senador denunciar a inveja social do povoléu.

Ela que venha. Precisamos muito de mais inveja social.