Ficha de leitura: “The Go-Between”, L. P. Hartley.
Não resisto a mostrar a capa da primeira edição.
Para acederem à sinopse consultem este artigo de Ali Smith, apesar da sua releitura palavrosa e absurda do livro (chamar-lhe um sofisticado romance gay é, mais que pura tolice, o sinal dos tempos).
Fiz um esforço para chegar ao fim e isso intriga-me. The Go-Between é uma obra com qualidades evidentes: boa ideia, bom desenvolvimento, caracterização das personagens adequada à sua função no enredo, símbolos dispersos em leitmotiv que não abusam da inteligência do leitor, atmosfera sofisticada, uma escrita rica mas não aparatosa, tema caliente, final infeliz — porquê a seca?
Nestas alturas costumo confiar nas minhas emoções — coisa sempre preferível a confiar nas emoções dos outros — mas ainda não sei o que há de errado no livro. Arrisco duas hipóteses: 1. a ausência de dramatização (ou excesso de reticência) em situações importantes, como o suicídio de Ted, que tornam a narrativa muito plana. 2. uma certa falta de exterioridade atribuível ao enfoque excessivo nos mecanismos psicológicos do protagonista (em contraste com Brideshead Revisited, por exemplo) ou à falta de jeito para uma escrita mais etnográfica, por assim dizer.
Terceira hipótese, menos generosa, é a de que exista uma falha grave na caracterização de Leo, e que esta acabe por se impor à nossa sensibilidade mas não ao nosso juízo. Como digo, é difícil perceber.



