Socorro, uma corrente.
por Luis M. Jorge
Era bom, era, estar sossegadinho no Algarve sem receber convites dúbios da Ana Cristina Leonardo. Mas respondo-lhe, porque hoje regressa muita gente a casa e o Vida Breve é um blog com objectivos.
1 – Existe um livro que lerias e relerias várias vezes? Existiu: o Doutor Fausto do Thomas Mann. Só deus sabe.
2 – Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim? Sim, sim, sim e sim, meu anjo.
3 – Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele? O Larousse Gastronomique.
4 – Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste? On Rethoric e On Style, do De Quincey. Perdi no multibanco. Dou alvíssaras.
5- Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer? Aquela aparição de um deus ex machina no The end of the affair.
6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura? Um dia fui apanhado com Justine e a minha mãe explicou-me que aquelas coisas não se faziam. Doce ilusão.
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê? O Ulisses. Porque desperdicei a juventude.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos. Só os meninos com necessidades especiais têm livros preferidos.
9. Que livro estás a ler neste momento? Sabbath’s Theater, como toda a gente.
10. Indica dez amigos para o Meme Literário. Custa muito perder dez amigos.
Porque eu própria se estivesse sossegadinha no algarve teria mandado a corrente às urtigas, muito obrigada!
Ana Cristina, agora que reli este texto pareceu-me arrogante e malcriado em vez de coquete e saleroso como tencionei escreve-lo. Espero que não a tenha ofendido.
luís, eu não achei o texto arrogante e malcriado. Também não vou dizer que o achei coquete e saleroso, mas pronto. É verdade que não partilho a sua paixão pelo alemão mas isso não tem nada que ver com correntes. Um abraço e, como diria o João Lisboa, safamo-nos os dois dos gafanhotos
Na verdade, não tenho grande paixão pelo Mann embora lhe reconheça os méritos — foi aquele livro, um caso irrepetível.
” Indica alguns dos teus livros preferidos. Só os meninos com necessidades especiais têm livros preferidos.”
eheheh!
“Que livro estás a ler neste momento? Sabbath’s Theater, como toda a gente.” Se ainda não tinha lido não devia ter feito aquele post sobre o Roth como completo.
henedida, onde é que viu um “post sobre o Roth como completo”?
Na realidade ia escrever: vê como chegou lá. Mas mudei para esta frase, considerar o anterior post sobre Roth a sua súmula.
Eu sou melhor na primeira escolha. Uma vez ia escrever caçador mas achei que podia ser ofensivo e para não ofender escrevi predador (só eu). A minha irmã ainda se ri. Mas as consequencias podem ser (foram) terriveis. Segundo a sua frase de cima por vezes a intenção perde-se na escrita…:)
henedida: está acho que ainda não me tinham chamado e a variedade costuma ser imensa.
Lá isso é verdade.
A resposta à pergunta 7 é um escândalo! Nem tenho palavras.
Gosta assim tanto do Joyce, Carla? Confesso que não aderi ao homenzinho.
Última tentativa de converter o Luís: http://player.vimeo.com/video/10188371
Agora a sério: descobri o vídeo através do blogue do Maradona e gostei muito.
Vou ver isso, Carlos.
Did you say ‘homenzinho’? Que culpa tem um dos maiores escritores de sempre de o Luís não gostar dele? Calma. O Ulysses está a um dia de fazer anos. Um óptimo dia para ler outra vez.
Bem, como é uma efeméride assim que chegar a Lisboa vou acariciar longamente as páginas do Dubliners — com uma vaga esperança de me encorajar a lê-lo.
sem dúvida nenhuma, o melhor filme de John Huston