vida breve

textos quase originais de luis m. jorge

Month: Abril, 2011

Prémio TED 2011.

Espero que isto dê umas ideias à “sociedade civil”.

Foi uma injustiça não destacar no próprio dia este post do Daniel Oliveira, mas há bom remédio. Eis um excerto:

Num excelente almoço organizado pela Câmara do Comércio e Indústria Luso Francesa, onde perorou sobre a pobreza, Leite Campos explicou que “quem recebe os benefícios sociais são os mais espertos e os aldrabões e não quem mais precisa”.

Seria impensável eu dizer que o senhor Leite Campos é um “aldrabão”. (…). Como não insulto o senhor, fica apenas este facto: estando ainda a trabalhar, já recebe uma reforma do Banco de Portugal. Quando se retirar da Universidade de Coimbra, juntará o que recebe já hoje ao que receberá dali. Acumulará duas reformas vindas do Estado.

Seria um argumento “ad hominem” atacar o professor Leite Campos, competente fiscalista, por causa das suas duas reformas. Dizer que ele é “esperto” e que gasta recursos do Estado que podiam ir “para quem mais precisa”. Espertos são os pobres que ficam com os trocos. Quem consegue acumular reformas por pouco trabalho é inteligente. Os pobres enganam o Estado, os outros têm direitos. Os pobres roubam o contribuinte, os outros têm carreiras. Fico-me por isso pelos factos: a reforma que o senhor Leite Campos recebe do Banco de Portugal resulta de apenas seis anos de trabalho naquela instituição.

Cheira-me que se a generalidade dos portugueses recebesse reformas, estando ainda no ativo, por seis anos de trabalho e as pudesse acumular com outras dispensaria bem o abono de família e até o cartão de débito para ir à sopa dos pobres.

Aquilo que realmente está esgotar o crédito da minha paciência é ver tanto “esperto” que vive pendurado nas mordomias do Estado a dar lições de ética aos “aldrabões” que recebem subsidios miseráveis.

Princesinhas.

Alguém devia escrever sobre o estofo darwinista das consortes reais. Imaginem o talento de que necessitam estas mulheres para encantarem durante décadas um palerma mimado, afastarem as harpias, persuadirem a família de Windsors ou Saxe-Coburgs, honrarem as instituições e comoverem o povo durante noivados sem mácula até à glória de uma boda triunfal. Ser doida na cama ajuda, mas não chega.

Marraquexe.

No último dia, um empregado do riad transportou as nossas malas pelas ruelas do souk para apanharmos o táxi. Quando lhe ofereci a gorjeta que julguei adequada a um hotel de quatro estrelas (desconheço as equivalências da hotelaria tradicional), ficou tão satisfeito que me pregou dois beijos na face e me abraçou com carinho. A minha namorada, hélas, não teve a mesma sorte e recebeu apenas um aperto de mão.

Tenho muita pena do que ocorreu hoje em Marraquexe, pois gostei daquela gente tão trapalhona e simpática. Os turistas, de que a sua economia depende, não são racionais. A partir de hoje esquecerão os atentados de Madrid, de Londres e de Nova Iorque: Marrocos, um país muçulmano, um país inseguro, será durante algum tempo um país a evitar.