Resumo e conclusão.
por Luis M. Jorge
(…) muito provavelmente Cavaco ganhará em 23 de Janeiro. Nem Alegre, nem os quatro ou cinco diletantes que andam por aí a fingir que se tomam a sério são um obstáculo. O único autêntico obstáculo é a abstenção, que se exceder largamente o habitual talvez force uma segunda volta. (…) Ora a abstenção não é ilegítima. É um acto de recusa total do regime que um cidadão está no direito de não legitimar pelo seu voto (mesmo com um voto em branco). E confessemos que um regime que propõe, como alternativa para a Presidência da República, Alegre ou Cavaco merece amplamente uma recusa total. Chegou a altura de não pactuar em nada com a miséria estabelecida da política portuguesa.
Vasco Pulido Valente.
Dada a presente situação seria interessante uma comparação entre os méritos e deméritos do voto nulo e da abstenção.
Há anos que nos resultados das eleições não vejo os votos nulos separados dos brancos. Acho que isso já não é muito útil.
É o amolecimento geral. Perigoso.
Viagra para o regime, já.
VPV comete aí um erro de avaliação grave: a abstenção, claramente, favorece Cavaco. Partilho da sua opinião em relação ao voto em branco: como é metido no mesmo saco que os nulos, o jeito é mesmo nem perder o tempo. Além disso, a proverbial desfaçatez com que a política nacional ignora matérias de censura própria não augura grande efeito à prática futura do voto em branco.
Ainda não percebi se favorece o Cavaco pós-BPN. Antes, sem dúvida.
Aparecem separados, sim. Quando as condições de temperatura e pressão me conduzem a votar, vou sempre, ansiosamente, verificar “quantos somos”. Ainda da última vez o fiz:
http://lishbuna.blogspot.com/2009/11/conhecer-vizinhanca-por-aqui-fico-pois.html
Muito me conta. E como gostei de ver que houve 40% de abstenções. Já não me lembrava.
Já votei muitas vezes em branco; se calhar mais do que as vezes em que votei em alguma coisa. Sempre achei que os Brancos deviam ser separados dos Nulos, e contar. Isto é, contarem para retirar ou impedir mandatos nas legislativas e autárquicas. Tal como sempre achei que a Abstenção, ainda que expresse alguma coisa, normalmente só expressa indiferença e preguiça e, eventualmente, o desprezo por um dever que, quando não existia, era um direito que muito outros conquistaram para nós. E por isso não gosto de me abster. Mas desta vez, muito possivelmente, não vou votar deliberadamente. Uma Abstenção elevada, desta vez (dado que são presidenciais, não houve pontes e não dá para ir para a praia), expressará de facto a saturação dos eleitores com o regime e tudo o que isso significa.
Eu fico muito cansado só com a ideia de procurar o maldito cartão.