O debate.
por Luis M. Jorge
Que Manuel Alegre nada tem na cabeça é uma revelação tardia para quem acompanhou as anteriores incursões do bardo na alta política. A estratégia da candidatura — defender a pátria da fúria dos mercados, resguardar o estado social — nem era má; mas exigia alguém que a executasse com talento. O perfil do candidato — uma alminha impoluta, um independente do PS — tinha sentido, mas dispensava a incarnação de um poetastro oco e egotista.
Havia mais gente adequada à estratégia e ao perfil? Havia, pois.
Alegre navegar à vista e perder de vista uma meta qualquer.
Havia pois o Vital Moreira; infelizmente já não disponível, colocado estrategicamente que foi para cutucar na união europeia.
O Vital? My dog.
Lo he escuchado 20 mil veces pero todavía se me ponen los pelos de punta. Feliz ano novo miúdo!
Não percebi nada. Bom ano.
o meu contributo: http://plocking.wordpress.com/2010/12/30/analogias-pg5/
Até Defensor de Moura, desde que bem trabalhadinho e com o suporte certo, ganhava a Alegre de goleada…
Nem mais.
Sem dúvida.
Clarificação: sem dúvida melhor do que Alegre, porque também esteve muito fraquinho.
Mais que fraquinho, como escrevia Eça, esteve “enfiado”.
Uma péssima campanha, mas, bem vistas as coisas, nenhum candidato esteve a um nível minimamente aceitável — excepto, talvez, o do PCP, mas apenas, como é habitual, para efeitos de ‘consumo interno’. Será a primeira vez que votarei em branco nas eleições presidenciais.
(Com todo o respeito pela Ana, pior do que o Alegre, em quem, desgraçadamente, já votei, só o Vital. Ó Ana, então não viu a desgraça que foi a campanha para o Parlamento Europeu?)
Sabe que não votar é um voto em Cavaco, não sabe?
Eu só sei que vou votar em branco; deixo esses cálculos aos politólogos.
Votar em branco é uma parvoíce. Quem vota em branco abre a porta à possibilidade de uma cruz manhosa inscrita no boletim virgem por alguém suficientemente manhoso.
É sempre mais prudente votar nulo. Um voto nulo não pode ser utilizado
Já agora, para o Luís e para os habituais do Vida Breve, votos de um magnífico 2011.
E que o seu seja melhor que o último.
Obrigado.
Guterres? Ele diz que não, mas não vejo outro.
Não creio, Lourenço. Eu não pus nomes no post porque qualquer nome exige um enquadramento e muita imaginação dos leitores — estamos a falar de gente nova. Mas imagine este perfil: uma mulher (lembre-se da Clinton), de uma honestidade a toda a prova, conhecida e admirada pelo povo, jurista (ou seja, capaz de ler uma constituição), de fora da política mas habituada a gerir equipas, a lidar com o poder e mesmo assim a obter resultados. Dois anos antes da campanha lançava-se o nome para habituar o público à ideia. O seu discurso seria institucional, porque não queremos uma vingadora, mas teria uma carga simbólica forte: Maria José Morgado, por exemplo. Julga que não tinha mais adesão que o bardo?
Um nome bem pensado! Eu votaria nela!
Eu votaria nela também.
Ah, Luís, o perfil parece-me óptimo, mas o nome não: por muito que simpatize com MJM, há sempre qualquer coisa de pecaminoso nesses saltos da justiça para a política.
Cheguei aqui porque me enviaram um excerto do texto, inteligente e bem escrito, sobre a “orgia salazarenta” e queria conhecê-lo na totalidade, bem como a sua origem.
Tudo encontrado, resolvi explorar um pouco mais o blogue. E dou de caras com as observações sobre Manuel Alegre. Em geral, nada a dizer, independentemente de estar ou não de acordo com tudo o que é dito (tais coincidências raramente têm lugar e, naturalmente, não é isso que procuro: seria uma tolice). Mas, no caso, nem sou apoiante, nem simpatizante de Alegre, do ponto de vista político ou pessoal, o que facilitaria a minha aceitação ou compreensão, perante observações desagradáveis sobre o “candidato”.
Era, enfim, blogue para visitar (ocasionalmente, pois não sou grande frequentador dos ditos e tenho mais com que me ocupar).
O “poetastro”, porém, estragou tudo…
Alegre pode ser uma peste, um apocalíptico cavaleiro, inclusive um dos anjos terríveis que abrem, sem piedade, os selos fatais. Mas não é um “poetastro”… É um poeta, cuja obra mais notável nem estará nos já notáveis textos “de resistência”, mas numa produção mais tardia e depurada. Até se pode não gostar, que o “gosto” é ainda “uma outra coisa”: daí a não reconhecer o seu valor literário vai uma distância abissal. João Bénard da Costa explicou muito bem estes porquês (noutro campo cultural, mas aplicável a qualquer deles), a propósito das “Recordações da Casa Amarela”, embora os seus jovens colegas, críticos de cinema do “Independente”, não tenham (jamais?) percebido a lição.
Seria o mesmo que avaliar a produção literária de Vasco Graça Moura, sobretudo a poética, de elevado nível, a partir do lugar definido pelas suas crónicas políticas e pela ideologia subjacente…
É lamentável confundir estas coisas; ou não possuir instrumentos culturais para fazer uma avaliação literária ou artística, quando é disso – e só disso – que se trata.
E é pena, quando parece encontrar-se um comentador interessante e que escreve escorreitamente, com humor inteligente – tudo características sempre bem-vindas – levar logo com um aviso de “pare, escute e olhe!”… que a inteligência por aqui tem limites, ou especificidades… e pode ser colhido por um “rápido” desgovernado…
Pois: mas por falar em inteligência, o João Bénard da Costa não era um Paulo Rato. Quando você apresentar aqui um texto como o que refere, talvez me convença a respeitar esses pruridos de interposta pessoa. Até lá, continuarei a não gostar do “político” e do “poeta” em doses equivalentes e a cagar de alto para os comentadores que me “reprovam” por esse motivo ou por outra inanidade qualquer.
1-Rato é um nome muito apropriado para ssinar o texto em questão.
2- Maria José Morgado!?. Pelas alminhas… Essa “Santinaha da Ladeira” é o Octávio Machado da Justiça.
Errata: “assinar” e “Santinha”
Lá tive de voltar ao blogue! Para confirmar que ganhara uma aposta que um amigo meu insistiu que com ele fizesse: que o valentíssimo e eruditíssimo e sapientíssimo e, enfim, ‘xtrórdinário Luís… não iria publicar a minha “resposta” à sua resposta ao meu comentário, impedindo – que maldade, Luís! – os seus devotos de se zangarem ainda mais comigo, de botarem mais umas finíssimas (mas embotadas) graçolas sobre o meu apelido e, enfim, defendendo-se de um eventual desaire – impossível, homem, com admiradores tão beatos!… Mas não fosse o Diabo tecê-las… Não é, ganda Luís?
Mais valia que, usando o seu inquestionável direito de “edição”, não tivesse dado a conhecer o meu comentário inicial. Assim, a não edição da resposta à resposta já não teria “Censura” como nome de família…
E pronto, desta vez é que não volto mesmo. Não faço mais apostas. Mas vou cobrar o jantarito ao meu amigo. Divirta-se e cultive-se (se conseguir), Luís. Não me despeço dos outros, porque também não vão ficar a conhecer este textinho…
Pois é: eu não publico insultos. E agora desapareça de vez, homem. Tanta ameaça já me enfastia.
Rato, meu rapaz, não te abespinhes. Olha o refluxo gástrico. Não há qualquer censura ao nome da família, que é, por certo, muito respeitável. O que se passa é que V.Ex.ª, à semelhança do deputado Diogo Feio (com i e não y), faz jus ao nome que ostenta. Um ano cheio de saúde e bem-estar.
Isto animou, Luís.