vida breve

Não aprendam, não.

com 22 comentários

GetWinePicture.aspx

Ontem, oito e meia da noite no Corte Inglês. Esfaimado, pus no cesto os novos tagliolini al nero di seppia da Rana, a que me propunha acrescentar em casa umas gambas fritas com sumo de limão e mais uns truques. Só faltava o vinho, que se queria fresco. Os meus pensamentos dirigiam-se para o Madrigal, ou qualquer coisa sur lie com batonnage (há que impressionar os leitores) — mas fundamental era não entrar na maldita loja gourmet, em que ninguém escapa ao risco de perder misteriosamente o cheque do rendimento mínimo e incorrer na fúria do dr. Paulo Portas.

Portanto, o realismo impunha-me que achasse depressa o expositor refrigerado. Havia um minúsculo, perto dos queijos.  La dentro enregelavam duas dúzias de invólucros inúteis: nem Madrigal, nem Navazos Nieport, nem algo que me evocasse lichias, citrinos, avelãs ou outra porcaria qualquer. A garrafinha proverbial do argentino Mysterio não estava ao meu nível, o francês de quarenta euros estava ao meu nível, mas não numa quarta-feira, e os portugueses eram uma versão bojuda e borrachona de um romance do José Rodrigues dos Santos.

Assim, desculpem lá, não restam motivos para sermos patriotas. Peguei num La Motte Sauvignon Blanc 2006, meti-o no saco térmico e despejei-o em casa meia-hora depois. Todos os dias lamento o fraco espírito comercial destes palermas.

Escrito por Luis M. Jorge

05-11-09 às 20:05

Publicado em post

22 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Quando voltar a passar por essa catedral do consumismo castelhano, nao deixe de levar um bom bocado de queijo Cabrales (creio que há no gourmet). Vai esquecer o Rocquefort e o Stilton, que sao para amadores. Caso o queira servir numa tábua de queijos, isso sim, aviso-o e aos comensais que o comam em último lugar. O sabor é avassalador.

    André Pinto

    06-11-09 em 10:40

    • Cabrales? Cono! (Não sei o que significa “cono”, mas pareceu-me uma boa réplica).

      Luis M. Jorge

      06-11-09 em 10:42

      • Melhor ainda, “coño de puta madre”, para a réplica ficar completa. Já agora, André, não é preciso ir ao Gourmet para comprar o Cabrales; no supermercado também lá está, avulso ou embalado. Bye Bye Roquefort.

        Mónica

        13-11-09 em 11:01

  2. “Coño” é uma exclamaçao, que significa literalmente vagina. “Coño” é sempre boa réplica em Espanha. :)

    Muitos conhecedores (coisa que nao sou) dizem que os melhores queijos azuis do mundo sao de tipo “cabrales”. Estou proibido de visitar muita gente por esse mundo fora, sem lhes levar um queijo desses. É pouco conhecido fora de Espanha, por ser difícil de competir com algo que tenha a força da França ou da Inglaterra enquanto marca.

    André Pinto

    06-11-09 em 11:10

    • Então parece que não me dei mal com a réplica. Vou experimentar essa maravilha (o queijo, claro).

      Luis M. Jorge

      06-11-09 em 11:46

    • O Cabrales é de facto um bom queijo do tipo azul. Agora essa coisa de ser o melhor, faz-me lembrar aquela convicção de que muito se fala de que os nossos vinhos são os melhores do mundo.

      E questões de marca, hoje em dia, especialmente em termos de gastronomia, Espanha n fica a perder em comparação c França ou Inglaterra.

      Mas pronto Luis, é bom teres por aqui um lobby asturiano

      miguel Pires

      15-11-09 em 16:13

      • Não sejas snob, homem. Isto não é o blog do vila joya.

        Luis M. Jorge

        15-11-09 em 16:48

      • o sr mete um “y” num vinho que apenas leva um “i” (Misterio Finca Flichman) e o snob sou eu? e o La Motte foi o unico vinhito potável q encontrou nesse frigorifico…coitadinho.

        miguel Pires

        15-11-09 em 21:39

  3. o mysterio não vale nada. é um flop.
    poderia ter optado pelo encruzado da quinta de carvalhais. ficava bem servido e impressionava-se a si mesmo. mas não, em vez de me ligar toma essas decisões sozinho e acaba por se arrepender.
    eu sou seu amigo na mesma, mas isto tem de acabar.

    jorge

    06-11-09 em 11:54

    • Que o mysterio é um flop sei eu por isso é que não o comprei. E quanto ao encruzado, não existia nada que se parecesse no armário refrigerado de que falei, homem. Você era mais amigo se me lesse como deve ser, isso é que era.

      Luis M. Jorge

      06-11-09 em 11:58

      • não me fale nesse tom que eu aborreço-me. eu li, mas também me estava a exibir. até porque V. poderia ter ido a outro lado comprar vinho. isso é languice.

        jorge

        06-11-09 em 12:24

  4. Eu, como volta e meia dou um pulo às Asturias – precisamente a Cabrales, por acaso – e como por acaso até já provei o queijo – concordo com o André. Mas atenção… temos por cá queijo que não lhe fica nada atrás. (E não estou a ser chauvinista). Talvez persista o problema que o Luís identifica no post: a apresentação do produto.

    qwerty

    06-11-09 em 17:40

  5. Um molho de tomate feito na frigideira.Uns ovos batidos e mexidos no dito molho.Pão frito.Queijo da Água Retorta, S.Miguel.Vinho Tinto Casal de Valle Pradinhos. A esta hora e de serviço aqui no “aerotrolleys”, é o que me ocorre. Amanhã a ver se lhe arranjo mais qualquer coisa…

    fernando antolin

    07-11-09 em 00:46

  6. qwerty, estou de acordo consigo. Realmente temos muito bons queijos em Portugal, completamente desconhecidos. No caso do Cabrales, reportava-me exclusivamente à categoria dos queijos azuis ou de “folha azul”, como se diz por aqui.

    Quanto tiver dúvidas quanto a pinga e quiser impresssionar alguém, pergunto ao Luís. De vinhos não entendo grande coisa. Isso do “bouquet” e das “sugestões a baunilha e frutos secos” ultrapassa-me. :)

    André Pinto

    07-11-09 em 12:38

  7. Não podia nada, porra. Você não me irrite.

    Luis M. Jorge

    06-11-09 em 12:40

  8. podia ter ido ao sá. para a próxima beba coca-cola ou snapy.

    jorge

    06-11-09 em 13:45

  9. cum caraças.

    Luis M. Jorge

    06-11-09 em 17:46

  10. carácoles.

    Luis M. Jorge

    13-11-09 em 11:08

  11. hehe.

    Luis M. Jorge

    15-11-09 em 21:46


Deixar uma Resposta