vida breve

Archive for Novembro 2009

The Road.

com 7 comentários

Demorei a ler esta novela de Cormac McCarthy, porque a sinopse me recordava In the Country of Last Things. Foi um erro. O calhamaço de Auster é entediante e inverosímil, a distopia romântica de uma coqueluche da Ivy League — enquanto o livro de McCarthy pertence à alta literatura. The Road não serve para fazer suspirar colegiais: o plot é escasso, a construção subtil, o estilo descarnado com breves precipitações poéticas — e o enlace das duas personagens, nunca nomeadas, a sua oscilação entre a inocência e a experiência perduram na memória do leitor. Não tenho jeito para papaguear sobre livros, embora admire quem tenha. Mas leiam-no.

…………………………………………….

Comentário em destaque:  AMC

É uma obra-prima do escritor-recluso. Aliás, em toda a sua bibliografia é difícil encontrar um ponto fraco. Escrevi, em Junho de 2007, este pequeno texto sobre esta obra de McCarthy.
Porém, Luís, discordo da análise de No País das Últimas Coisas. Joga no mesmo campeonato de A Estrada, das “Grandes Distopias”, mas distancia-se daquela na difusa fronteira bem austeriana, o fio da navalha, ou se quisermos, o limbo, entre a consciência e os impulsos oníricos de uma das mais célebres personagens de Auster, Anne Blume.
Em relação a A Estrada consigo encontrar mais pontos de contacto com Órix e Crex de M. Atwood e A Possibilidade de uma Ilha de Houellebecq. São ambas, tal como as 2 anteriores, de um fôlego literário ímpar.

Escrito por Luis M. Jorge

30-11-09 em 18:20

Publicado em post

Leituras em atraso.

com 2 comentários

A Ana Matos Pires fez um link para estes textos sobre “psicopatas socialmente adaptados“. Em que é que eu pensei logo? Ah, as implicações políticas

Escrito por Luis M. Jorge

30-11-09 em 13:52

Publicado em post

2017.

without comments

O presidente da União Europeia lamentou o impasse do encontro de emergência de Potsdam, em que a Escandinávia, a Alemanha e a Grã-Bretanha exigiram que as economias do Leste e da Europa do Sul fossem excluídas da moeda única. Este momento de incerteza na vida das instituições europeias foi recebido com indiferença em Portugal, a braços com o rescaldo das legislativas.

Numa entrevista ao Diário de Notícias, Pedro Passos Coelho comprometeu-se a reforçar a cooperação estratégica entre o seu partido e o Governo de José Sócrates, invocando os inúmeros sucessos da última legislatura.  Fontes anónimas garantiram-nos que o social-democrata Ângelo Correia será o novo presidente do Conselho de Administração da EDP, enquanto Miguel Relvas ocupará funções idênticas na REN.

Os dados recentes sobre o agravamento do défice das contas públicas e do saldo negativo da balança de transacções correntes, bem como a confirmação do crescimento da taxa de desemprego para 18,3 por cento não desencorajam o primeiro-ministro,  que se mostra determinado e confiante no rumo que traçou para o país. Atribuindo os maus resultados pontuais à persistência da crise internacional, José Sócrates recordou que está previsto um crescimento de 0.2 por cento do PIB em 2018, uma consequência evidente das iniciativas encetadas pelo Governo.

É verdade que há sinais de vitalidade na economia portuguesa. O presidente da Sonae, Armando Vara, anunciou a edificação do maior centro comercial da Península Ibérica, que servirá as populações de Vinhais, da Sobreira de Baixo e do Parque Natural de Montesinhos. Também o governador do Banco de Portugal, José Lello, declarou ontem a sua confiança no efeito multiplicador dos novos investimentos públicos, como a construção do aeroporto internacional de Castelo Branco, outorgada à Mota-Engil.

A reforma da justiça continua a obter resultados. Esta semana a polícia judiciária efectuou buscas nas residências de quatro juízes desembargadores e de seis magistrados do Ministério Público, em conformidade com o mandato do senhor presidente do Supremo Tribunal de Justiça — o meritíssimo Lopes da Mota. O ministro dos assuntos parlamentares, João Galamba, congratulou-se com mais uma vitória do Estado de Direito contra a insídia da espionagem política.  Os quinze jornalistas recentemente acusados de calúnia e ofensa agravada ao bom nome do primeiro-ministro foram condenados em processo sumário a penas que variam entre os 14 e os 24 anos de prisão efectiva.

Hoje a Assembleia da República votará mais um orçamento redistributivo e a proibição de símbolos católicos em lugares de culto — uma medida há muito exigida pelos blogs da maioria. Para a próxima semana está agendada a discussão da proposta de lei que visa uniformizar os títulos das bibliotecas universitárias, sujeitando as novas aquisições à aprovação prévia de uma entidade reguladora.

O primeiro-ministro afirmou que a proposta segue as melhores práticas em vigor nos países desenvolvidos, acusando os profetas da desgraça e os bota-abaixistas que persistem em obstaculizar os esforços reformadores do seu governo. Não terão sucesso, concluiu. Portugal está no bom caminho.

Escrito por Luis M. Jorge

30-11-09 em 11:07

Publicado em post

com 7 comentários

Os anos transformam tudo em elegia.

Escrito por Luis M. Jorge

30-11-09 em 01:14

Publicado em post

com 8 comentários

Estou farto de salvar o país. Vou até Madrid. Bom fim-de-semana.

Escrito por Luis M. Jorge

25-11-09 em 23:06

Publicado em post

“Sem resposta” — o depoimento de Pedro Lomba.

com 13 comentários

Isto também se pode juntar ao levantamentoLutz?

A propósito do que li aquiaqui, confirmo que publiquei esta crónica no Público a 12 de Novembro, quinta-feira e na segunda-feira da semana seguinte, dia 16 de Novembro, a 2 horas de entregar o meu texto pronto para ser publicado na edição de terça do Diário Económico, como sempre fiz desde o princípio de 2008, fui contactado pelo editor de opinião do jornal informando-me de que a minha colaboração era dispensada. Não obstante ter escrito imediatamente ao director do Diário Económico manifestando a minha surpresa por ter sido dispensado sem uma explicação no próprio dia em que iria entregar um artigo, não recebi qualquer resposta.

.

Escrito por Luis M. Jorge

25-11-09 em 15:27

Publicado em post

Avançar Portugal.

com 4 comentários

1. Soubemos há dias que o presidente José Eduardo dos Santos formulou um corajoso ataque à corrupção no seio do Governo (ah, os seios e os governos) do seu país. Também o nosso PS, inspirado pelo exemplo notável do líder angolano, vai propor à Assembleia um conjunto de medidas legislativas, para tentar (sic) evitar que se estabeleça a ideia de que alguns querem combater a corrupção e outros não.

2. A Maria João Pires está muito aborrecida com a permanência de Fernando Lima na Casa Civil do presidente Cavaco. E eu, confesso-vos, estou muito aborrecido com a Maria João Pires. O assessor Fernando Lima não foi constituido arguido em qualquer processo, pelo que é  um atropelo nojento ao estado de direito e à presunção de inocência arrastar o seu bom nome pela lama, só porque apareceu nos jornais. Os meios, Maria João, não justificam os fins.

3. O Lutz escreveu uma obra-prima da escolástica sobre o caso Face Oculta. No final desse imperdível diálogo entre a fé e a razão, o Duns Escoto da Vestfália pergunta-nos:

Porquê não se faz um levantamento sobre a prática da atribuição da publicidade de empresas públicas e outras mais dependentes do governo? Este permitiria a todos os cidadãos fazer um juízo político. (…) Se um Primeiro Ministro se empenhasse em condicionar a atribuição de contratos de publicidade por empresas sobre quais tem ascendente devido ao cargo que tem – isto seria razão para remover o homem do seu cargo quanto antes.

A isto, meu caro Lutz, posso eu responder:  o levantamento já foi feito. E Sócrates, refém da sua consciência, apresentará brevemente a demissão.

Escrito por Luis M. Jorge

25-11-09 em 12:33

Publicado em post

Santa Maria Novella.

com 9 comentários

De Florença para o Chiado. Recomendo a Colónia Russa, que uso há uma década. Nos últimos tempos, hélas, a necessidade e a escassez (de viagens a Itália) tinham-me forçado a optar por Acqua di Parma. Não é a mesma coisa. Daqui envio um abraço amigo aos senhores concessionários da VGLF, lda.

Escrito por Luis M. Jorge

25-11-09 em 09:27

Publicado em post

Até ao cêntimo.

com 7 comentários

Francisco José Viegas:

Há vários motivos de natureza cultural e religiosa que leva os portugueses a não querer comentar miudezas financeiras em público. Por exemplo, os impostos. Os portugueses pagam-nos e não protestam, como se o Estado merecesse o esforço e o silêncio. Quando alguém quer discutir os impostos é apelidado de miserabilista. É errado. Devemos discutir os impostos até ao cêntimo, para que o Estado (quem mais?), o grande delapidador, não se abotoe com aquilo que não lhe pertence nem prolongue os seus maus hábitos em nosso nome. Esse é um primeiro grande passo para que passemos a desconfiar menos do monstro. Os portugueses precisam de discutir o seu destino. Ora, faço notar, o Banco de Portugal já veio dizer que os impostos podem aumentar. O governo diz que não. Curioso, não é?

É a reforma das reformas. Mas como vai demorar, meu deus.

Escrito por Luis M. Jorge

25-11-09 em 00:48

Publicado em post

Usar os “social media”.

com 2 comentários

Há pouco tempo sugeri aqui que a blogosfera era apenas uma parte visível do aparato técnico que veio dar voz aos excluídos dos meios de comunicação tradicionais. E para que nos serve isso? Entre outras coisas para não ficarmos encalhados entre o Ferreira Fernandes e os doutores do ónus da prova.

Hoje, um especialista nestes assuntos lançou um PDF gratuito e exaustivo a que chamou  Social Media for Business. Risquem o business, ponham politics, ou o que vos apetecer, e façam o download aqui mesmo:

Social Media for Business

Escrito por Luis M. Jorge

24-11-09 em 18:15

Publicado em post

Assessores.

com 17 comentários

O Eduardo Pitta tem razão. O anonimato não é motivo para desqualificar argumentos, embora possa ser denunciado quando os anónimos saltam do argumento para o insulto. O Miguel Abrantes nunca deu esse salto, pelo que não há razões para rasgar as vestes perante o anonimato que escolheu ou não escolheu para si.

Também julgo evidente que quem permanece anónimo deve sujeitar-se, não apenas à protecção, como aos riscos desse estatuto: a começar pelas especulações de terceiros. É assim a vida.

O Eduardo Pitta assegura que conhece o Miguel Abrantes, e que nisso se encontra acompanhado por inúmeros bloggers, entre os quais arrola os participantes do Sim no Referendo:

(…) há quem o conheça há mais tempo do que eu — gente ligada ao PSD e ao BE — (…) e, mesmo assim, por estratégia bloguítica cujo alcance me escapa, faça de conta que não sabe quem ele é (malgré os jantares de grupo, etc.). É só conferir a lista de colaboradores (…)

Como faço parte do conjunto de autores que integrou (e integraria ainda, com orgulho) o blog mencionado, quero esclarecer que participei num único jantar de grupo, e que nesse jantar não tive o prazer de encontrar alguém que respondesse pelo nome de Miguel Abrantes — a menos que a memória me escape, coisa sempre possível dada a abundância das minhas incursões na restauração.

Eu não cultivo estratégias, embora possa ser culpado de incontáveis distracções. Portanto, tomo como boa a palavra do Eduardo e não se fala mais nisso. Quanto ao Valupi a conversa é outra, mas não vou perder tempo com a criatura.

Escrito por Luis M. Jorge

24-11-09 em 12:34

Publicado em post

without comments

Boas notícias: a auditoria da REN não detectou indícios de favorecimento; e já saiu a World of Interiors de Dezembro.

Escrito por Luis M. Jorge

23-11-09 em 22:14

Publicado em post

Afiar as facas.

com 5 comentários

Admoestando a eito as classes dirigentes no seu todo (excepto as do PS), uma parte dos advogados (excepto os que defendem o PS) e a canzoada impune refastelada nos tribunais (excepto a que proíbe as escutas ao PS), João Pinto e Castro sublinha com excessiva vénia estes parágrafos do Daniel Proença de Carvalho, um advogado de Sócrates:

Todos nós conhecemos os actores políticos, os seus percursos, as ideias que professam, os seus comportamentos políticos; e, muito importante, exercem o poder com base no voto popular, que é a regra da democracia. Que sabemos nós dos detentores do poder judiciário? Por onde andaram, que ideias políticas professam? E a pergunta fatal: qual a raiz do seu poder soberano?

Temos aqui o começo de um importante corpus doutrinário, leitores: de acordo com esta reflexão, há que conhecer as ideias políticas dos nossos magistrados para que estes não possam julgar, inadvertidamente, altos responsáveis de partidos em que não votaram. Seria trágico que os melhores amigos do primeiro-ministro fossem inquiridos por um afilhado da doutora Manuela, ou que um vereador do partido que os portugueses preferem tivesse que rastejar aos pés de um admirador de Louçã. Uma justiça merecedora do seu nome deve ser partidarizada: assim o exige o voto popular, a única raiz do poder soberano.

O João Pinto e Castro chama a isto defender o Estado de Direito. Um dia talvez possa explicar-nos o que significaria atacá-lo.

Escrito por Luis M. Jorge

22-11-09 em 23:23

Publicado em post

Em resumo.

com 9 comentários

Se houver dúvidas sobre o desemprego, a justiça, o défice das contas públicas e o défice comercial, as entidades reguladoras, a independência ou a liberdade da imprensa, os índices de corrupção ou qualquer destes assuntos correntes, perguntem ao Galambinha.

O país está bem entregue e eu vou para fora no fim-de-semana.

Escrito por Luis M. Jorge

20-11-09 em 12:03

Publicado em post

Adivinhe e ganhe prémios. (Actualizado)

without comments

Resultados:

FILIPE NUNES VICENTE  - 1  MARADONA – 0

Sois uns palermas. Até à meia-noite de ontem, o Mar Salgado tinha enviado para este blog 134 leitores, enquanto A causa foi modificada se ficou pelos 126 — uma derrota humilhante. Duas visitas rápidas ao sitemeter de ambos bastariam para que concluísseis esta evidência: o Filipe Nunes Vicente não é o senhor Palomar.

Escrito por Luis M. Jorge

19-11-09 em 16:53

Publicado em post

Sete cidades mais quatro.

com 11 comentários

Desde Roma, escreveu Stendhal, que todas as cidades do mundo querem ter sete colinas. A minha lista já inclui Lisboa, São Francisco, Plovdiv (na Bulgária), Tirumala (Índia), Kampala (Uganda), Bristol, Istambul, Bilbao, Jerusalém e Macau. Agradeço os vossos contributos.

Escrito por Luis M. Jorge

19-11-09 em 11:11

Publicado em post

Madeleine.

com 20 comentários

Em pequeno passava as férias com a minha avó, a brincar no largo da sua casa, onde marulhava um chafariz manuelino. Eram outros tempos, de branda negligência. Ali perto residia, como na goela do peixe que tragou Jonas, a vizinha Nazaré: uma bruxa velha de buço encaracolado que me amava secretamente, com êxtase solitário. Todos os dias me ofertava guloseimas baratas ou os despojos que trouxera da praça. Ao longo de três décadas recordei esta iguaria em particular: tomate chucha cortado ao comprido, temperado com sal grosso, sobre uma fatia de pão. Procurei em vão aquele sabor nos mercados, nas praças e nas feiras de produtos biológicos de Lisboa. Hoje descobri, esquecidos na cozinha, dois ou três tomates excessivamente maduros. Em vez de os deitar fora, cortei-os ao comprido.

Escrito por Luis M. Jorge

18-11-09 em 14:35

Publicado em post

without comments

Nº 108. “Parrot”, de Peter Carey, é muito bom. Ainda não li o resto.

Escrito por Luis M. Jorge

18-11-09 em 08:37

Publicado em post

Edição da noite.

com 18 comentários

Acabo de ouvir uma longa reportagem em directo sobre o facies de Paulo Penedos. Quero voltar para Veneza.

Escrito por Luis M. Jorge

17-11-09 em 22:23

Publicado em post

Esquerda, direita.

com 7 comentários

1.

Uma parte da direita propõe arrastar o debate sobre o casamento entre homossexuais, se possível, até à consulta popular. E eu, ingénuo, a pensar que existiam assuntos mais importantes, problemas urgentes, que diziam respeito a todo o país.

2.

Os muchachos de Sócrates não são o PS. Pessoas como Ana Gomes, Medeiros Ferreira, João Cravinho e um punhado de temerários manifestam há muito o seu desprezo pela corrupção, ou pelo silêncio, dos apparatchik. Com as instituições enfraquecidas, talvez nos façam falta.

Escrito por Luis M. Jorge

17-11-09 em 10:27

Publicado em post

Aide-mémoire do caso “face oculta” (1).

com 12 comentários

Em Junho de 2009, o João Galamba citava extensamente, sublinhando com delícia, este artigo de João Miguel Tavares dedicado às relações entre o BPN e Cavaco Silva. O texto incluía as seguintes pérolas:

(…) hoje olhamos à nossa volta, procuramos uma referência moral onde encontrar algum conforto, e a sala está assustadoramente vazia.

Cavaco Silva meteu-se numa triste embrulhada. (…)

1) Cavaco deu protecção política a Dias Loureiro muito para lá do que era admissível. (…)

2) (…) Cavaco omitiu o que não devia ter omitido (…)

3) Os contornos do negócio (…) tornam-se assim muitíssimo embaraçosos. (…)

Cinco meses depois, é isto que o deputado João Galamba tem a dizer sobre as relações entre  Armando Vara e José Sócrates:

Pinto Monteiro falou ontem, e disse não haver indícios que justifiquem uma investigação criminal. Num Estado de Direito isto devia bastar.

Escrito por Luis M. Jorge

16-11-09 em 18:14

Publicado em post

O horror, a tragédia, o jantar.

without comments

Na semana passada, os colegas do Delito de Opinião quiseram ir jantar ao Clube de Jornalistas. Como poderia recusar o convite? Adoro jornalistas. Já gostava deles quando não trabalhavam para o Governo, nem namoravam com primeiros-ministros, nem roubavam emails uns aos outros, e a passagem dos anos, o frisson das ligações perigosas, o perfume dos escândalos só transformou essa benevolência em ardor. Tenho amigos entre assessores políticos e profissionais da imprensa (perdoem o pleonasmo), e algumas das boas refeições que até hoje recordo foram incluídas na factura de um ou outro semanário. O mesmo não ocorreu com esta, que me obrigaram a desembolsar.

Apesar desse faux pas, a noite foi agradável. Mal atravessei a porta vi o Mário Zambujal, que ainda está vivo, e tão lúcido como o António José Saraiva. (Continue a ler)

Escrito por Luis M. Jorge

16-11-09 em 11:28

Publicado em post

Enxovalhar um inocente.

com 9 comentários

  1. Sócrates, um puro, o maior dos puros, tem este azar de andar com pessoas que o rodeiam. É azar. Só azar.
  2. Isto é nulo, façam de conta que não existe
  3. E agora?
  4. A inverdade oficiosa.

Algures num manicómio da Floresta Negra, a velha Helga desgrenhada repete tremulamente: não, não é vérrrdade. O Fuhrer érrra um bom homem… O holucáusto fui uma invençáo judiá, etc., etc..

Escrito por Luis M. Jorge

13-11-09 em 16:30

Publicado em post

com 4 comentários

huey-dewey-louie-duck

 

Ontem disseram-me que o pseudónimo “Miguel Abrantes” é partilhado entre seis (sim, seis) assessores do Governo. E o “João Magalhães”, valerá por outra meia-dúzia?  Aqui no Vida Breve nem queriamos acreditar. O Huguinho e o Zezinho já pediram aumento.

Escrito por Luis M. Jorge

13-11-09 em 15:54

Publicado em post

Da série “os cavaleiros do ónus da prova” (1).

com 4 comentários

penedos_ren_PAGINA

José Penedosafastou de imediato a hipótese de demissão. (…) O presidente da REN disse ainda que o filho, Paulo Penedos, “não tem nenhuma relação com a REN. (…)”, confirmando, no entanto, que a sociedade onde Paulo Penedos é advogado a SCI - presta serviços à empresa.

Aqui.

Escrito por Luis M. Jorge

13-11-09 em 10:59

Publicado em post

without comments

3.parr_dubai

Martin Parr, no Dubai. Esta cidadã condena a criminalização do enriquecimento ilícito — por causa do Estado de Direito.

Escrito por Luis M. Jorge

12-11-09 em 19:33

Publicado em post

É o mundo ao contrário.

com 30 comentários

Estou muito chocado. Então não é que o João Pinto e Castro, um homem que sempre tive por sensato, se pôs a criticar o nosso Partido Socialista? De um dia para o outro, confessa-nos que uma boa parte das políticas económicas do Governo é desastrosa, que este possui uma visão saloia da modernidade e do avanço tecnológico, que o PS promove  incompetentes e arrivistas medíocres a cargos de responsabilidade na política, nos negócios e nos media — terá apanhado sol na moleirinha?

Ainda assim, valha a verdade, não deixou de reconhecer publicamente o trabalho notável do senhor primeiro-ministro. E claro, cerra fileiras contra o cadáver putrefacto do PSD, tentando salvar o estado de Direito e o nosso viver colectivo.

Quem não está para isso é o Pedro Lomba, que neste artigo do Público manifesta um grave desrespeito pelo merítíssimo presidente do Supremo Tribunal de Justiça e pela lei das escutas do PS, feita para proteger o viver colectivo das nossas elites políticas.

Você devia ter vergonha, Pedro. Não nos diga que também votou no cadáver.

Escrito por Luis M. Jorge

12-11-09 em 11:50

Publicado em post

Opinião pública (2): a bibliografia.

com 4 comentários

6a00d8341c6ba253ef01156ff43311970b-500pi

Quem quiser aprofundar a sua intervenção cívica recorrendo aos novos meios tem algumas obras recentes à disposição:

  • The Social Media Bible — um calhamaço de oitocentas páginas que funciona como uma introdução acrítica ao tema. É útil para quem procura ter uma noção das possibilidades destes meios. (Pub. em 2009).
  • Marketing to the Social Web — o melhor livro para quem tem uma noção dos meios técnicos mas procura uma maneira de os integrar numa estratégia de comunicação. (Revisto em 2009)
  • Groundswell — um dos livros com informações detalhadas e cases studies extraídos das organizações que utilizam os social media com mais sofisticação.
  • The New Rules of Marketing and PR — embora publicado em 2008, talvez seja a introdução mais útil para o praticante solitário. Não leiam os últimos esforços do autor.
  • Twitterville — para quem não percebe que interesse tem, afinal, o Twitter. Uma lição recente.
  • Brand Digital — o autor é especialista em construção de marcas e um ser pensante. Não abundam nesta área.

É preciso dizer mais algumas coisas.

Primeira: há muitos livros confusos ou simplesmente maus sobre o tema.

Segunda: não incluo menções ao Email nem ao uso de redes sociais por telemóvel. Temas vastos, complexos ou ainda em consolidação.

Terceira: embora estes sejam livros recentes, nunca estarão suficientemente actualizados. Nas últimas semanas por exemplo, a Google lançou o social search, e o Facebook revelou as suas intenções de se tornar num espaço “aberto”. Já nesta semana, salvo erro, o Twitter lançou as suas listas. Há dois ou três dias, as empresas do Linkedin e do Twitter começaram a partilhar as actualizações dos utilizadores.

As novidades abundam.

Escrito por Luis M. Jorge

11-11-09 em 16:02

Publicado em post

Opinião pública.

com 4 comentários

A blogosfera, que começou por influenciar os jornais e os partidos políticos, é agora uma extensão dos partidos políticos e dos jornais. As centrais da posta dedicam cada vez mais recursos a abafar o pensamento crítico numa cacofonia de newspeak. Mas enquanto se preparam os próximos ataques à independência da justiça e ao exercício da opinião livre (não julguem que há processos Face Oculta sem uma resposta articulada do poder), a vigilância continua a ser um dos trabalhos nobres da democracia participativa.

Precisamos de reforçar as vozes isoladas, as mais preciosas, frágeis e descomprometidas do nosso ecossistema. Isso é possível recorrendo aos social media. Noto que muita gente bem intencionada, com pensamento próprio, despreza o twitter. É um erro que se paga caro. O estudo honesto destes instrumentos acaba por recompensar quem os utiliza.

Mais tarde ou mais cedo, a caixa de ferramentas de um cidadão preocupado terá que incluir isto:

  • Blogging
  • Micro-blogging (Twitter)
  • Social networking (Facebook, Linkedin)
  • Agregadores de social networking (Friendfeed)
  • Agregadores de RSS Feed (Google Reader)
  • Social bookmarking (Google Reader, Delicious, Stumbleupon)
  • Wikis (Wikipédia)
  • Photo sharing (Flickr)
  • Video Sharing (You Tube)
  • Livecasting (Ustream.tv)
  • Podcasting (iTunes)

Os blogs não vão desaparecer, mas já cumpriram a sua função. Há que seguir em frente.

Escrito por Luis M. Jorge

11-11-09 em 12:14

Publicado em post

“Ó Zézito, já trataste do casamento dos meus amigos homossexuais?”

com 3 comentários

Os colóquios de Solvay de 1927 marcaram até hoje o mundo da Física, pois aí ocorreu o primeiro duelo titãnico entre Einstein e Niels Bohr.

Este Sábado não foi menos importante para a nossa blogosfera, emocionada com o encontro fecundo entre José António Saraiva, o Einstein da imprensa portuguesa, e a rara perspicácia do seu émulo Vasco Lobo Xavier.

Escrito por Luis M. Jorge

10-11-09 em 14:30

Publicado em post

Laurinda Alves: e agora, os pensamentos.

com 2 comentários

orkut-hi5-amor_(99)

 

Há anos iniciei as minhas incursões na blogosfera com O Cantinho do Luís Delgado, uma homenagem ao profeta do santanismo que misericordiosamente extingui. Hoje recordei esses tempos meigos e deleitosos ao ler o sanctum sanctorum de Laurinda Alves, ou melhor, o seu cul-de-sac.

Escrito por Luis M. Jorge

10-11-09 em 11:02

Publicado em post

Esquecer Pearl Harbour.

com 4 comentários

Há por aí uns teóricos que defendem que o investimento nos estádios do Euro 2004 deu lucro. O país precisava de eventos para se mostrar ao mundo, por isso, graças aos tais eventos e ao génio fulminante de Guterres o número de turistas que visitam Portugal cresceu nos anos seguintes. Infelizmente, essas contas nunca incluem o efeito da emergência das companhias aéreas low-cost, que ocorreu na mesma época. Falar nos estádios para explicar o incremento do turismo é como dizer que Churchill venceu sozinho a Segunda Guerra Mundial.

Escrito por Luis M. Jorge

09-11-09 em 16:31

Publicado em post

A cabeça nas paredes.

com 6 comentários

Einstein afirmou que a melhor definição de loucura é fazer a mesma coisa, uma e outra vez, e ficar à espera de um resultado diferente.

O país é pobre? Obras públicas. A dívida cresce? Obras públicas. A desigualdade? Obras públicas. Crise? Obras públicas. Corrupção? Obras públicas. O país é pobre? Obras públicas.

É só isto o que resta ao governo de Sócrates. Calar os juizes, pressionar os jornais, e obras públicas.

Escrito por Luis M. Jorge

09-11-09 em 15:29

Publicado em post

Este ganhou dinheiro sem andar no TGV.

without comments

41a4xTSHW9L._SS500_

O autor vende a sua casa, encaixa algum capital e decide duplicá-lo em seis meses. Se fosse português comprava um BMW e investia o resto em acções da Mota-Engil mas, como nasceu na Irlanda, vai dar a volta ao mundo e fazer negócios pelo caminho. A aventura começa em Marraquexe e inclui paragens na Somália (para comprar camelos), no Zimbabwe e Botswana (café e malaguetas), na África do Sul (vinho), Índia, Kirguistão, China e sudeste asiático, Japão, América Central e Brasil. A lista de trocas é excessivamente vasta e variada para caber nesta sinopse. O resultado manteve-me de olhos bem abertos até às seis da manhã (ter dormido a sesta ajudou). Qual twitter for business, qual social media marketing. Ganhar dinheiro é isto.

Escrito por Luis M. Jorge

09-11-09 em 13:36

Publicado em post

Sim, meu anjo: é “forçada”.

com 6 comentários

Em Paris visitei recentemente uma zona – o Marais – frequentada à noite por multidões de homossexuais, e confesso que fiquei muito impressionado com o que vi: milhares de jovens, alguns no início da adolescência, exibiam ostensivamente a sua atracção (real, forçada?) por pessoas do seu sexo.

O José António Saraiva continua imperdível.

Escrito por Luis M. Jorge

06-11-09 em 18:00

Publicado em post

Como ser vidente. Orson Welles ensina.

com 5 comentários

Escrito por Luis M. Jorge

05-11-09 em 23:58

Publicado em post

Não aprendam, não.

com 22 comentários

GetWinePicture.aspx

Ontem, oito e meia da noite no Corte Inglês. Esfaimado, pus no cesto os novos tagliolini al nero di seppia da Rana, a que me propunha acrescentar em casa umas gambas fritas com sumo de limão e mais uns truques. Só faltava o vinho, que se queria fresco. Os meus pensamentos dirigiam-se para o Madrigal, ou qualquer coisa sur lie com batonnage (há que impressionar os leitores) — mas fundamental era não entrar na maldita loja gourmet, em que ninguém escapa ao risco de perder misteriosamente o cheque do rendimento mínimo e incorrer na fúria do dr. Paulo Portas.

Portanto, o realismo impunha-me que achasse depressa o expositor refrigerado. Havia um minúsculo, perto dos queijos.  La dentro enregelavam duas dúzias de invólucros inúteis: nem Madrigal, nem Navazos Nieport, nem algo que me evocasse lichias, citrinos, avelãs ou outra porcaria qualquer. A garrafinha proverbial do argentino Mysterio não estava ao meu nível, o francês de quarenta euros estava ao meu nível, mas não numa quarta-feira, e os portugueses eram uma versão bojuda e borrachona de um romance do José Rodrigues dos Santos.

Assim, desculpem lá, não restam motivos para sermos patriotas. Peguei num La Motte Sauvignon Blanc 2006, meti-o no saco térmico e despejei-o em casa meia-hora depois. Todos os dias lamento o fraco espírito comercial destes palermas.

Escrito por Luis M. Jorge

05-11-09 em 20:05

Publicado em post

Temas.

com 6 comentários

Há temas que ainda podem ser muito aprofundados no romance de tradição realista.

A explosão das sex-shops de bairro e um magote de anúncios classificados demonstram-nos que a vida sexual dos casais é mais interessante e variada do que julgam os nossos literatos. Por outro lado, uma tradição secular de idealização das mulheres (o eterno feminino, e tal) ainda persiste nas figuras da bonequinha passiva-agressiva, ou da puta generosa mas seca por dentro desde que o tio Marcelino abusou dela em pequena — a que se soma uma galeria de retratos mais urbanos mas previsíveis: a caçadora de homens profissional liberal que suspira pelo latagão meigo e pai formidável, ou então a mulher masculinizada dos thrillers, que descobre as pegadas do dinossauro atrás da Gioconda e põe o Vaticano em alvoroço ao comprometer o transporte do urânio enriquecido.

Quero eu dizer que falta dedicar muito trabalho às mulheres.

Outro território importante é o da desigualdade — não a desigualdade entre ricos e pobres, que nos ocupou mais de um século e já enjoa. Mas tenho a certeza que existe potencial romanesco no facto de tantos homens, por exemplo, morrerem aos quarenta sabendo que a grande maioria atingirá o dobro da idade. A morte deixou de ser a grande niveladora, é menos partilhada. Que histórias retiramos daí?

Não tenho tempo para escrever mais, mas regressarei a estes assuntos.

Escrito por Luis M. Jorge

04-11-09 em 18:41

Publicado em post

com 11 comentários

_46634932_couple226282

Na Somália, um homem de 112 anos casou-se com uma jovem de 17. Não percamos a esperança.

Escrito por Luis M. Jorge

04-11-09 em 09:29

Publicado em post