vida breve

Archive for Outubro 2009

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Ontem à noite. Nikon D700, Zeiss ZF 100 mm Makro-Planar, ISO 560, 1/125 seg.,  f/4.0. As cores ficaram esmaecidas na passagem para o blog, não me perguntem porquê.

Escrito por Luis M. Jorge

29-10-09 em 17:12

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E o Galambinha, já foi à pica?

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A jornalista de causas Fernanda Câncio encerrou a noite de segunda-feira com esta prosa bem humorada:

às vezes sucede a todos ao mesmo tempo. um dia inteiro sem jugular. é giro.

vá, por favor, teorias de constipação, não se arranja? eu tenho uma para oferecer: fomos todos à vacina.

Mais ou menos a essa hora uma criança de dez anos arrostava a última dor de cabeça da sua curta vida. Durante a madrugada o miúdo desfez-se em merda, com crises de vómitos e diarreia, e foi parar às urgências do hospital D. Estefânia, de onde o transferiram para o serviço de Infecciologia em que viria a morrer nessa mesma tarde.

vá, por favor, teorias de constipação, não se arranja? eu tenho uma para oferecer: fomos todos à vacina.

Sim, eu tenho uma teoria. Após um ano de campanha no blog que administra, uma campanha marcada pelas indignações selectivas e pela adulação inane, mas bem recompensada, dos refluxos do primeiro-ministro,  a Fernanda Câncio antecipou um problema ético maçadoramente real: como justificar a decisão do seu Governo de incluir os titulares dos órgãos de soberania entre os primeiros beneficiários da vacina contra o virus da gripe A?

fomos todos à vacina.

Na América, o Presidente Obama já assegurou ao povo que vai esperar pacientemente pela sua vez. Ou seja, vai ser vacinado depois das crianças americanas, como qualquer adulto saudável. E em Portugal? Por cá, a jornalista de causas Fernanda Câncio, eminência colorida da blogosfera de Sócrates, prefere chutar para o canto, assobiar para o lado e vitimizar-se antes que alguém lhe faça perguntas incómodas. Só é pena que a sua estratégia nos pareça tão destituida de sentido de oportunidade.

é giro.

Pois é, é muito giro. Mas o Adriano, ao contrário dos políticos que a Fernanda Câncio defende, morreu.

Escrito por Luis M. Jorge

29-10-09 em 13:28

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Meu reino por umas favas.

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O país está repleto de artolas para quem aquilo que temos de bom é invariavelmente o melhor do mundo. As nossas praias são as melhores do mundo. Os nossos vinhos são os melhores do mundo. Lisboa é a mais bela cidade do mundo (e o que diriam se a Câmara limpasse de vez em quando a bosta acumulada nos jardins e multasse os automóveis que assoberbam os passeios).

Como é evidente, também os florilégios das nossas cozinheiras formam aos olhos dessa gente a melhor gastronomia do mundo. Que os chineses, os franceses, os italianos, os japoneses, os peruanos, os mexicanos, os marroquinos, os tailandeses e os indonésios lhes perdoem, a esses patêgos que arrotam postas de pescada de pulseirinha na água choca em Cancun e Varadero, porque eu não consigo.

Se temos a melhor cozinha do mundo, porque é que ainda não comi umas favas decentes   desde que regressei a Lisboa? Umas favas, senhores: não são lombos de cavalo-marinho com redução de beluga em cama de línguas de colibri das montanhas rochosas e aipo-bola flambeado. São favas, caralho.

É assim tão difícil, para os génios que pontificam nos nossos tascos, servir umas favas que se traguem: feitas com enchidos das berças, com molho apurado, com um pouco de amor? Será que tenho de ir comer favas ao Pap’Açorda?

Escrito por Luis M. Jorge

28-10-09 em 15:07

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Livros.

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Venice: Pure City, de Peter Ackroyd.

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Nunca conseguiria ganhar a vida a escrever sobre livros: um terço fica por ler, outro é lido aos solavancos; e entre as obras que sobrevivem à punção nevrótica do meu modus operandi não são raras as que acabam posternadas, magras e exangues num banco de pau ao Jardim da Estrela.

O último livro de Peter Ackroyd, que por enquanto escapa ao golpe de misericórdia, seria um bom candidato a vítima se eu não amasse o assunto e não respeitasse o autor. Venice: Pure City está longe, muito longe de competir com a joie de vivre de J.G.Links, o belo estilo de Jan Morris,  o humor eduardiano de Norwich, a alta literatura de Brodsky ou a atenção fascinada de Matvejevic. Nem vale a pena metermos na lista John Ruskin e Margaret Plant.

Por outro lado, é uma obra que acompanha bem Mary McCarthy, Tiziano Scarpa, Paul MorandLiliana Magrini e a excelente síntese de Diehl. Ou seja, Venice: Pure City nunca será uma introdução indispensável, mas também não despreza a inteligência do leitor (para isso já temos  os pastelões de John Berendt e Freely).

Ackroyd revela-se um homem consciencioso, que estudou as suas fontes. Infelizmente, como afirmou McCarthy, tudo o que podia ser dito sobre Veneza já foi dito, incluindo isto que estamos a dizer. O déjà vu de 400 páginas agora publicado não acrescenta um chavo à vasta bibliografia ou hagiografia venezianas.

Escrito por Luis M. Jorge

26-10-09 em 12:42

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Diga-se de passagem que a qualidade da escrita é coisa pouco importante. Se o texto necessitar de metáforas fulgentes, devemos proporcioná-las ao leitor. Mas Defoe redigiu clássicos com uma prosa canalha e atamancada. Flaubert andou à caça de palavras repetidas para nos fazer bocejar a meio dos Trois Contes. E no limite do ataviado, que encontramos nós? Não Proust, nem James, mas o ilegível Finnegans Wake.

Escrito por Luis M. Jorge

23-10-09 em 17:34

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A foto é miserável, mas vejam só estes bolinhos. Comprei-os no Luxembourg e fui papá-los a Versailles.

Escrito por Luis M. Jorge

22-10-09 em 17:16

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Da ironia.

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Swift ficou irado com o êxito universal das Viagens de Gulliver. Ele tentara, afirmou, envergonhar os homens, e em vez disso apenas conseguira fazer com que se rissem.

Como instrumento do combate político, a ironia é ineficaz:  não esclarece nem mobiliza, e os seus cultores parecem-nos quase sempre alheados, descomprometidos, detached.

Apesar disso, não é uma ferramenta desprovida de virtudes:

- A ironia mantém-nos dentro da arena em batalhas desiguais.
- A ironia atrai aliados improváveis.
- Em alguns casos, a ironia aponta exemplos aos seus alvos — mostra-lhes o que poderiam ter sido, se não se tivessem transformado naquilo que são.

Nietzche escreveu que todas as afirmações estúpidas merecem respostas inteligentes. A ironia é a resposta dos que aprenderam a esperar. Podia desenvolver o tema, mas o ensaísmo blogosférico aborrece-nos.

Escrito por Luis M. Jorge

22-10-09 em 08:33

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Há festa em África.

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Na Costa do Marfim, Gana e Mali as multidões celebram os excelentes resultados obtidos no relatório sobre liberdade de imprensa dos Repórteres sem Fronteiras. O Ministro dos Assuntos Parlamentares, Dr. Hawa Mukeila Issaké, regozijava-se ontem por o jornalismo do seu país ser agora tão livre como o de nações prósperas, com governos reformistas e democracias sem mácula, mencionando a título de exemplo o caso português.

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Durante a manhã, esta delegação de um jornal de referência sediado em Acra ultimava os preparativos  da sua deslocação a Lisboa. O director do Daily Pasquin manifestou-se optimista com a anunciada troca de experiências, num ambiente de sã convivialidade, que irá decorrer no Hotel Altis a partir do dia 9. Todos temos a ganhar com esta partilha mútua de  saberes e visões, obviamente complementares, e sempre marcadas pela excelência de conteúdos que distingue o trabalho dos nossos repórteres na Europa e em África.

Escrito por Luis M. Jorge

21-10-09 em 10:01

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Nikon D700, Zeiss ZF 35mm, f/8.0, 1/640s, ISO 200.

A namorada pediu-me uma fotografia para expor em casa dela. Suponho que não há maior pesadelo para um fotógrafo amador. Quando viajei pelos países nórdicos consumi mais de sessenta rolos e só aproveitei três impressões. Das viagens seguintes, nada encontro que sobreviva com dignidade a uma parede branca. Um dia perguntaram ao pintor Francis Bacon porque é que não existiam obras de arte no seu apartamento. Bacon respondeu que não conseguiria olhar para a mesma imagem durante vários dias.

Escrito por Luis M. Jorge

20-10-09 em 12:55

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Nikon D700, Zeiss ZF 35mm, f/2.0, 1/60s, ISO 1600.

Escrito por Luis M. Jorge

20-10-09 em 12:29

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Escrito por Luis M. Jorge

20-10-09 em 08:41

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Regresso à pátria e efemérides.

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Deixemos para mais tarde as evocações da minha semana parisiense.

Ao chegar a Lisboa notei que um par de efemérides suplicava a homenagem ternurenta dos leitores: o Jugular comemora o seu primeiro aniversário, enquanto o Telejornal da RTP celebra meio século de informação isenta, que a todos enobrece.

Os quarenta e nove anos que os apartam não devem alhear-nos da tradição crítica que muito os aproxima. Nem as diferenças de estilo comprometem o reconhecimento de um objectivo comum: proteger a cidadania pela vigilância, sempre desinteressada, do poder.

Ao longo de cinco décadas o Telejornal denunciou os abusos do salazarismo, a pusilanimidade da primavera marcelista, os excessos do verão quente, a venalidade das elites e a pulsão autoritária que corrói todas as maiorias absolutas.

Ao longo de doze meses os autores do Jugular denunciaram os abusos da justiça, a pusilanimidade das corporações, os excessos da oposição, a venalidade da direita e a campanha negra que corroeu a última maioria absoluta.

Ambos deram voz aos pobres, às crianças, aos velhos, aos esquecidos dos regimes. Ambos condenaram as obras sumptuárias e o desperdício dos recursos públicos. Ambos puniram a corrupção do Estado sem cálculos partidários. Ambos defenderam a qualidade da nossa democracia.

Graças aos seus esforços, vivemos hoje num país mais próspero; e é feliz a nação que se pode orgulhar de tais instituições.

Escrito por Luis M. Jorge

19-10-09 em 10:55

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Pausa.

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Regresso le dimanche.

Escrito por Luis M. Jorge

11-10-09 em 16:15

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Em defesa de Berlusconi.

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O João Morgado Fernandes aborreceu-se com o meu post anterior.

Ele afirma que o cinismo não é bom conselheiro. Mais, queixa-se amargamente por eu ter escrito que Berlusconi combateu interesses instalados e privilégios. Depois insinua que só quero fazer crítica doméstica (essa parte não entendo). E finalmente proclama, sem lugar a recurso, apelo ou agravo que este vosso serviçal releva uma azia desnecessária.

Corri logo para os sais de frutos. Nunca, em quase quarenta anos de reflexão serena, fui vitimado por tamanho renque de injustiças.

O que me ofende, desde logo, nem são os insultos à minha singeleza. Pior que tudo é o juizo severo e aprioristico que o João reserva ao primeiro-ministro italiano.

Desde que retomou a chefia do Governo, Silvio Berlusconi fez um trabalho a todos os títulos notável em defesa dos interesses do seu povo:

  • Para começar enfrentou o poderoso lobby da justica, em que avulta a bem organizada corporação dos juizes.
  • Depois fez uma corajosa reforma da administração pública e do sistema educativo, que trouxe para as ruas cerca de um milhão de professores.
  • A seguir corrigiu alguns abusos da liberdade de imprensa, maliciosamente alimentados por um ou outro canal de televisão e alguns directores de jornais.
  • Finalmente, tem vindo a encetar um expedito programa de obras públicas, sem a habitual canga de burocracias, concursos e regulamentos que entravariam o progresso de um país assolado pela crise internacional.

Perante tudo isto, confesse-nos, João: ainda acha que não é suficiente? Que estas medidas não combatem interesses instalados e privilégios?

Considera razoável alimentar insinuações torpes a respeito de um homem que mantém o seu cadastro imaculado, apesar de todas as aleivosias da oposição?

Mas afinal, onde é que você encontra um primeiro-ministro mais determinado, mais eficiente, mais reformista do que Berlusconi — aqui, na Europa do Sul?

Escrito por Luis M. Jorge

09-10-09 em 13:14

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Outra boa alma.

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A Palmira Silva exibiu no Jugular a resposta de Berlusconi à lamentável decisão do Tribunal Constitucional que lhe retira a imunidade. Tal como eu, a Palmira deve estar muito triste com a campanha negra, feita de ataques pessoais e calúnias infames, orquestrada pelos partidos da oposição (e alguma comunicação social) contra o primeiro-ministro italiano que mais combateu os interesses instalados e os privilégios.

Escrito por Luis M. Jorge

08-10-09 em 20:57

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Irving Penn, 1917-2009

Escrito por Luis M. Jorge

08-10-09 em 10:45

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Wolf Hall. O veredicto.

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Wolf Hall, de Hilary Mantel, venceu o Booker. Se eu fosse um blogger recomendável já teria despachado o calhamaço, que anda por aqui há um mês a apascentar ácaros. Assim posso asseverar que se trata de uma obra muitíssimo competente, para pousar cinzeiros e xícaras de café: tem sobrecapa lavável e ilustração anacrónica de inspiração floral, o que lhe confere certa dignidade de tabuleiro. Também seria um bom calço, se não viesse com 650 páginas — falha considerável do editor. Já li o Coetzee e a Byatt, na senda de uma tendência muito íntima para apostar em cavalos errados (com o devido respeito).

Vou ver o que posso fazer pelos leitores. Mas daqui a pouco estarei em França, onde só se admitem capas beije com alusões kinky. E a senhora Hilary Mantel, a crer na fotografia, nunca ganharia galardões literários abaixo de Calais. Falta-lhe, possivelmente, um je ne sais quoi.

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Escrito por Luis M. Jorge

07-10-09 em 09:48

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Composição.

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Há um momento em que o amante da fotografia tenta compreeder os princípios básicos da composição. Esse apetite louvável desagua num cataclismo de Temor e Tremor, à medida que as obras recomendadas por fotógrafos reputados nos manifestam a sua total indigência. Não conheço um livro de composição fotográfica que ultrapasse com mérito a regra dos terços, ou outras tolices do género.

Por outro lado noto que existem belos volumes sobre composição  pictórica, os quais oferecem ensinamentos preciosos ao fotógrafo. Este Mastering Composition, de Ian Roberts, é um exemplo que me educou muitíssimo nos últimos dias.

Escrito por Luis M. Jorge

06-10-09 em 22:01

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Avis.

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Avis mete nojo. As torres que se erguem na vila permanecem anónimas e inacessíveis. Em lado algum se faz menção à ordem militar que reconquistou parte do Sul e nos deu o primeiro monarca da segunda dinastia. O velho jardim público, sereno, repleto de sombras, foi substituido por uma armadura modernaça e reluzente a que só faltava fazer jogging e vestir Armani para aparecer nas revistas sociais com a noiva desamparada.

É aí que a juventude da terra, uma canalha pingona e cheia de ramela, coça os tomates,  rouba beatas aos turistas e despeja vinho mau nos canteiros de cimento armado.

Os dois restaurantes decentes faliram. O clube náutico, provando o sentido comercial que inspira esta gente, recebeu o fim-de-semana prolongado com correntes e taipais. Apesar disso, a campanha eleitoral somou êxitos da Kátia Máriza, os panfletos atafulharam as ruas e junto à barragem houve uma concentração de putas com motards.

O que me magoa: Avis é um pardieiro que podia ser sublime, se não tivesse desprezado a sua história, destruído os seus jardins e transformado em papa a geração que a devia renovar. Tal como está, não sei se é uma coisa moderna ou medíocre. Sei que não tem memória, e que não vai a lado nenhum.

Escrito por Luis M. Jorge

06-10-09 em 11:10

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O que pensar.

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Uma parte de mim concorda com o protesto do Henrique Raposo: o regime está podre, é preciso renová-lo, e tal. Mas depois de pensar melhor cheguei a esta conclusão: o que está podre não é o regime, é o PSD.

Todos os problemas de regime identificados nos últimos tempos (e são quase sempre identificados pela direita) resolviam-se com uma oposição decente do Partido Social-Democrata.

Não tenho muito tempo para formular este raciocínio, mas gostava de propor grosseiramente o seguinte: só podemos dizer que um regime está moribundo quando as instituições são incapazes de se renovar. E em democracia é vulgar que as instituições não se renovem porque os partidos políticos as bloqueiam. O ancilosamento institucional resulta do rigor mortis partidário.

O problema, para os defensores da tese do Henrique Raposo, é que os nossos partidos estão bem e recomendam-se. O CDS renasceu das cinzas. O Bloco cresce  há 10 anos sem interrupção. O PCP gere com sabedoria a sua inevitável decadência. O PS não só sobreviveu como se reconstruiu após a devastação do caso Casa Pia, e tem agora uma liderança fortíssima com um projecto de poder impiedoso.

Autofagia, cacofonia, incompetência estratégica, bizantinismo — só mesmo o que nos chega do PSD. O regime não se renova porque o PSD não deixa. Não temos oposição a sério porque o maior partido da oposição não funciona. Não temos alternativas de Governo, porque o PSD não consegue ter uma ponta de credibilidade.

É só este o problema: não é o género humano, é o Manuel Germano.

Escrito por Luis M. Jorge

01-10-09 em 09:17

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