Adeus à razão.
Quando escrever as memórias da minha vida profissional, hei-de falar muito nos elefantes brancos. Refiro-me ao cortejo de projectos megalómanos que em Portugal atraem os investidores porque estão associados a palavras como tecnologia ou modernidade (reconhecem o padrão?), ou porque, simplesmente, desafiam o bom senso.
Já as empresas que parecem ter um futuro, os negócios bem posicionados, as boas ideias, lutam com perpétuas aflições de tesouraria. Muito disto é fruto da vaidade pura e simples: ainda há pouco conheci o exemplo de uma imobiliária de sucesso que na fase de arranque comprou um automóvel de luxo a cada um dos seus quatro administradores (hoje esses imbecis acumulam dívidas a quem lhe presta serviços). Em outros casos entramos no domínio da patologia.
A queda da Byblos é bem relatada por Eduardo Pitta e Pedro Veira — nos próximos tempos assistiremos a inúmeros fracassos aparatosos do género. Quem me dera estar enganado.
Mas não está Luis. Infelizmente não está e os esquemas de financiamento que agora aparecem à tona no BPN, ainda que legais, são disso exemplo. Uma ideia estapafurdia, um nome e um “connect” são o bastante para que seja logo atribuido um molho de notas (roxas de preferência). Depois,… depois é gastar até que acabe, – os trabalhadores que vivam da “generosidade”. Pelo meio, e como diz, ficam projectos viaveis e pensados sem financiamento… a manta não pode cobrir todos.
Yuppie Boy
21-11-08 em 15:03
Não sei qual é o espanto com a Byblos, Luís. Os nossos fantásticos gestores importam conceitos de gestão (depois de alguém no cú produtivo do mundo os inventar) sem se darem ao trabalho de os adaptar (traduzir já era porreiro), ou inventar alguma coisa para merecerem sequer uma carripana baril como a minha. Apenas se lembram de ser chefes e de afectar 50% dos recursos de uma empresa para si, mais 25% de trabalho para arquivo, espiolhando sem dignidade ou recompensa os seus súbditos.
Pelo menos, a “Belita Coiffeur” nas montanhas perdidas de Góis é mais honesta – o nome é suficientemente bimbo para atrair clientela de além-Pirenéus, mas é ela (consciente-de-si) que corta o cabelo. A Belita nas montanhas percebe de recursos humanos. Se fosse para a cidade, estragava-se toda.
qwerty
21-11-08 em 23:32
Seria a “Belita na Cidade”.
Luis M. Jorge
22-11-08 em 01:34
Agora é off-record, mas por acaso até há umas serranas bem giras.
qwerty
22-11-08 em 02:16
Pois há. E com lindos bigodes também.
Luis M. Jorge
22-11-08 em 02:18
Parafraseando Jack Welch: (em Portugal) mude (para um shopping center) ou morra.
GL
22-11-08 em 19:34
Explicação para o insucesso da Byblos:
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Paulo%20Morais
GL
12-12-08 em 19:26