A consciência da mortalidade.
No meu recanto microscópico perdido entre as esferas medito na volubilidade dos homens. Eis um cenário digno de Montaigne. Uma pulga contempla o infinito e lamenta o pêlo indigesto do cão. Penso que toda a filosofia é um vampirismo derrotado. Depois penso que é irónico procurarmos a paz e ficarmos tão aflitos quando a encontramos. Um cemitério é como uma camarata, só que não se dorme mal. Tem flores de plástico e calotas de mármore em que à noite se derrama o brilho dos fogos-fátuos. Não há qualquer uso para a consciência da mortalidade.
O Saramago dizia no outro dia que pensar e falar na morte fá-lo sentir vivo. Pode até parecer um lugar comum. Também não tenho grande simpatia pelo senhor. Mas terá a sua razão.
jorge c.
21-11-08 em 12:35