vida breve

Para a D_.

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Entro na Tiffany’s e peço uma dúzia de ovos Fabergé.

- En cocotte, benedict ou com caviar, milord?

- Como preferir, James. E traga-me umas esmeraldas com chantilly.

Junto à porta acenas com a mão, distraída, sentas-te, e franzes o sobrolho. Temos fita. Sou culpado não sei de quê durante um quarto de hora. No catálogo dos Kew Gardens há imensas orquídeas em extinção. Tolumnia Scandens. Nunca ninguém falou assim comigo. Cattleya Labiata. E fiquei todo o dia à tua espera. Pragmepedium Besseae. Estou a gastar o meu latim. Orchis Provincialis. Não nos conseguimos entender. Cymbidium Faberi. Que horas são? Coryanthes Speciosa.

- Oitenta e nove para as trinta.

- Estou entalafada.

- Então prova os rubis.

- Provocam-me urtinsólicas.

- Uma vitualha de turquesas com hematitas.

- Tem muitos quilates.

-Então não peças nada.

- Queres que eu morra de pleocroíte?

- Não, queria que hibernasses até à primavera.

- A Teresa tem razão.

- Porquê?

- Não dizes coisa com coisa.

Escrito por Luis M. Jorge

27-10-07 às 00:39

Publicado em Sem categoria

Uma Resposta

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  1. Algo parecido com o que Marx pensava de Ferdinand Lassale: “Caos de idéias claras” ? :-)
    O pintor francês Auguste-François Biard, que viveu no Brasil em meados do séc. XIX, ao ver orquídeas durante a estada na “Província do Espírito Santo” denominou tais plantas de “parasitas”, no que errava, of course.
    São exóticas plantas de fato e muitas até bonitas, mas, se me permite uma opinião pessoal, não estão no rol de minha preferência, contudo a pintura posta encheu-me os olhos.

    Carla Cristina

    27-10-07 em 11:53


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